quarta-feira, 23 de junho de 2010

Iguatemi repudia bicicletas



Já é consenso, em todo o planeta, a necessidade de se buscar meios alternativos de transporte para desafogar o trânsito nas grandes metrópoles e diminuir as emissões de gases de efeito estufa. Nesse contexto, as bicicletas vêm exercendo um papel de destaque, são vários os exemplos de sucesso mundo afora.

No Chile, hoje, já existem diversas ciclovias integradas que possibilitam a segura entre várias regiões. Na Europa, há cidades em que as administrações disponibilizam bicicletas em suas estações de metrô para o usuário circular nos centros urbanos e, ainda, instalam bicicletários seguros em toda sua extensão, a fim de estimular o cidadão a sair de casa pedalando. Em vários países a integração do transporte público com as bicicletas ocorre também com os ônibus coletivos, pois esses possuem, em sua área externa, suportes para o transporte de bicicletas. E muitos outros casos poderiam ser citados.

É importante, ainda, a percepção de que todas essas ações são respaldadas por campanhas que incentivam e encorajam o hábito saudável “do pedal” e que visam, sobretudo, desenvolver a consciência de respeitar aqueles que utilizam a bicicleta como meio de locomoção e estilo de vida.

Complementarmente, também já começa a se formar uma nova cultura empresarial voltada a atender os empregados que são usuários de bicicleta. São muitas as empresas que oferecem instalações capazes de suprir as necessidades dos ciclistas tais como duchas, armários e estacionamento próprio para as magrelas, além de proporcionar incentivos.

No entanto, Brasília parece caminhar na contramão do futuro. Infelizmente, são muitas as atitudes negativas e omissões que vão completamente em direção oposta à difusão do uso das bicicletas. Há algum tempo, o Governo do Distrito Federal fez um grande alarde na divulgação de um programa em que se criaria 600 quilômetros de ciclovias até 2010. Entretanto, o que foi efetivamente implementado é pífio.

Em primeiro lugar, as ciclovias não se interligam. Na verdade, o que existem são pequenos trechos isolados de ciclovias, em que o ciclista pode circular com exclusividade e que terminam em vias de trânsito de automotores, sem área destinada às bicicletas, obrigando-os a disputar espaço com carros, ônibus e motos, num trânsito violento e caótico, expondo-os ao risco de acidentes e atropelamentos.

Em segundo lugar, mas não menos importante, é a discussão em torno das controversas “ciclofaixas”. O GDF chamou de ciclovias os acostamentos pintados nas pistas dos Lagos Norte e Sul. As tais ciclofaixas não melhoraram em nada a segurança do ciclista nestes bairros, pelo contrário, geram uma falsa sensação de segurança. O ciclista é levado a acreditar que aquela área é reservada exclusivamente ao seu trânsito, entretanto é constantemente surpreendido por motoristas e motociclistas que invadem as “ciclofaixas”, com seus veículos de forma irresponsável e impune, a fim de escapar do trânsito congestionado. Ou seja, a vida do ciclista é colocada seriamente em risco, pois não há proteção física alguma e nenhuma educação dos motoristas.

E para quem achava que a situação já era suficientemente aberrante para o ciclismo no DF, e que pior não poderia ficar, o cenário ficou ainda pior no Lago Norte. A inauguração do Shopping Iguatemi levou à intensificação do fluxo de veículos na região. Para solucionar o problema, ao invés de buscar soluções de engenharia de tráfego, o GDF utilizou-se, novamente, do brilhante paleativo de pintar o asfalto. Da mesma forma que havia pintado os acostamentos designando a área como “ciclofaixa” o fez agora em sentido inverso Do início do lago Norte até a altura da QI 3, as ciclofaixas deixaram de existir para dar lugar a uma 3ª faixa de rodagem. Ou seja, o ciclista vem pela ciclofaixa até este ponto e, de repente, está transitando entre os carros. E o problema vai além. A via também não possui, neste trecho, acostamento ou recuos nas paradas de ônibus.

Agora, completando o total descaso com os ciclistas do Distrito Federal, mas absolutamente coerente com a política de “desincentivo ao ciclismo na capital”, o Shopping Iguatemi de Brasília adotou uma postura de total repúdio aos ciclistas, fazendo de tudo para que as bicicletas fiquem bem longe de suas instalações. Não bastassem as vias que impossibilitam o acesso dos ciclistas, o shopping proíbe, por meio de placas indicativas em seus acessos, a entrada de bicicletas no seu estacionamento. É isso mesmo! Você não entendeu errado. Enquanto no mundo inteiro há um esforço no sentido de se estimular o uso de bicicletas, o Shopping Iguatemi, na contramão da história, adota uma postura de discriminação e desrespeito ao ciclista, ao cidadão-ciclista.

Cabe a reflexão: a responsabilidade sócio-ambiental, hoje, se apresenta como um tema cada vez mais importante no comportamento das organizações, exigindo delas novas posturas calcadas em valores éticos, comprometidos com ações que promovam o desenvolvimento sustentável da sociedade como um todo – assim sendo, com a postura apresentada, será que um estabelecimento como o Shopping Iguatemi merece nosso apreço?

4 comentários:

  1. Caro Rodrigo Gerhard,

    gostaríamos de esclarecer alguns pontos sobre o acesso de bicicletas ao Iguatemi. O Shopping Iguatemi Brasília, conta, desde a sua inauguração, com vagas para bicicletas no primeiro subsolo de nosso estacionamento coberto. A placa sobre as cancelas orientava os ciclistas a não passarem por aquele local específico, por ser uma passagem de automóveis e arriscada para os ciclistas, e foram retiradas para evitar mal-entendidos.

    A entrada ao lado é exclusiva para bicicletas, gratuita, segura e estas podem ser abrigadas no estacionamento coberto. Para melhor receber os usuários deste transporte, em maio o Shopping convidou a ONG Rodas da Paz para uma visita técnica com o intuito de esclarecer os pontos de acesso e receber orientações para melhor formatação da sinalização de tráfego de ciclistas.

    A administração do Iguatemi Brasíli já incluiu todas as sugestões no estudo de área de circulação do estacionamento e implantou melhorias para sinalização das áreas referidas.

    O Iguatemi Brasília leva em conta o conceito de sustentabilidade em todas as nuances do seu projeto. Caso queria conhecer melhor visite: http://www.iguatemibrasilia.com.br

    Att,

    Equipe Iguatemi Brasília

    sacbr@iguatemibrasilia.com.br
    @iguatemi_bsb

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  2. "A placa sobre as cancelas orientava os ciclistas a não passarem por aquele local específico, por ser uma passagem de automóveis e arriscada para os ciclistas, e foram retiradas para evitar mal-entendidos."

    Essa informação não é verdadeira, essa foto postada no blog foi tirada na manhã de hoje, dia 23/06, e como podemos ver continua o indicativo proibindo bicicletas. Na passagem de pedestres não há indicação nenhuma de que seja indicada, também, para ciclistas e também não há indicação nenhuma de que há um bicicletário na área coberta do shopping. Além do que não houve qualquer adequação viária para o acesso ao shopping, como coloco no blog foi extinta a ciclofaixa que passava em frente ao shopping.

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  3. Coloco, ainda, que não tenho nada pessoal contra o Iguatemi, mas sim contra a postura de desrespeito aos ciclistas, por ser um. Se o shopping tiver uma postura de acolher os ciclistas serei o primeiro a me pronunciar, assim como fiz há algum tempo em relação ao Conjunto Nacional http://twitpic.com/9wgt0

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  4. Olá, Rodrigo,

    verificamos que realmente o símbolo sobre a cancela foi recolocado após uma inspeção de segurança do Shopping. Contudo, a entrada de bicicletas é por este mesmo local, na lateral.

    Publicamos algumas fotos no nosso Facebook, tiradas hoje, da entrada de bicicletas. Não gostaríamos que houvesse dúvida quanto à preocupação do Iguatemi em antender aos ciclistas.

    http://www.facebook.com/iguatemibrasilia#!/album.php?aid=229799&id=372143985066

    Estamos à disposição para qualquer esclarecimento.

    Att,

    Equipe Iguatemi Brasília

    sacbr@iguatemibrasilia.com.br
    @iguatemi_bsb

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