Imagine, agora, que um indivíduo pegou uma arma, saiu pelas ruas da cidade e começou a ameaçar aqueles com quem encontrava. Apontava a arma na direção de suas cabeças, ensaiava puxar o gatilho, recuava e continuava andando em seguida, assim, impassível.
Apesar de ouvir, sempre, que sua atitude era condenável, ele argumentava ser "apenas brincadeira", que a intenção era "somente dar um susto" nas pessoas.
Entretanto, em um dia qualquer, esse sujeito desprovido de qualquer remanescência de senso crítico, ao realizar uma de suas infames brincadeiras, provoca uma tragédia. Ao ameaçar puxar o gatilho, ele leva seu indicador curvado até o fim do curso, gerando um estampido seco e um corpo estendido no chão.
Desesperado, com a mente confusa tomada pelo álcool após a ingestão de diversas cervejas, ele parte em uma corrida desesperada, abandonando a cena do crime, deixando a vítima ali estendida sem nenhum socorro.
Co m certeza esse cidadão será preso e julgado por um crime doloso pois os atos que cometeu, partem do princípio de que ele sabia que estava infringindo a lei e que expunha ao risco a vida dos outros.
Diante disso me pergunto, então, se aqueles que transformam seus automóveis em armas, desrespeitando pedestres, corredores e ciclistas que transitam nas vias públicas, “dando sustos” e tirando finos não devem ser tratados de forma similar ao causarem um acidente.
Não assumo aqui uma postura radical, de que o motorista é sempre o culpado em um acidente, que envolva um veículo e uma bicicleta ou em um atropelamento. Mas reinvindico que haja respeito dos motoristas pelos atletas e pedestres, já que estes encontram-se completamente desprovidos de qualquer proteção contra um veículo em movimento.
É inadimissível, como já ocorreu comigo diversas vezes, que um motorista jogue seu carro para cima de uma bicicleta ou de uma pessoa, to mado de fúria, improcedente, e grite que “rua é lugar de carros”. Isso tem que chegar ao fim. A rua é lugar de todos, com respeito e segurança.
Divulgo a mensagem a seguir recebida por e-mail. Repassem e ajudem a criar uma nova cultura de respeito à vida.
Caros Amigos,
O Tribunal do Júri de Brasília submeterá a julgamento no próximo dia 11/02 – quinta-feira Leonardo Luiz da Costa que, em 19 de agosto de 2006, atropelou e matou na faixa central do Eixão Sul o biólogo e ciclista Pedro Davison. O condutor, que dirigia seu veículo com total desrespeito à vida, em altíssima velocidade e em local proibido ao trânsito de veículos automotores, tinha sua habilitação vencida, consumia bebida alcoólica no momento do crime, não freou, não procurou evitar a morte, não prestou socorro e se evadiu.
É importante que nos manifestemos em defesa da vida e do respeito às leis, por um basta a essa violência e pelo fim da impunidade que permite que irresponsáveis permaneçam nas ruas destruindo vidas e dilacerando tantas famílias.
Fazemos convite para sua participação em manifestação que realizaremos no dia 11 de fevereiro em frente ao Tribunal de Justiça do DF, data do julgamento, às 7h, horário da chegada dos jurados e dos senhores juízes.
Sua presença é importante para que expressemos que é inaceitável que tais crimes permaneçam impunes. Não deixe de comparecer e mostrar que Brasília defende a paz no trânsito, a condução responsável e o fim da impunidade dos crimes cometidos nas vias do Distrito Federal.
Vamos fazer nossa pressão e mostrar que queremos justiça e a condenação do réu. Mostrar que Brasília não aceita mais que casos dessa natureza sejam equivocadamente tratados como mero acidente. Vamos manifestar nosso desejo de mudança desse paradigma e confirmar uma nova jurisprudência de condenação dos que não respeitam as leis, desconsideram a vida e assumem se tornarem criminosos no trânsito.
Seremos gratos pelo seu apoio e presença.
Beth e Persio Davison
DATA: 11/02/2010 – 07h
LOCAL: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E TERRITÓRIOS - TJDFT
Fórum Milton Sebastião Barbosa, Anexo “B”(em frente ao estacionamento)
Brasília - DF
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
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