Durante 8 anos um W causou medo e preocupação no mundo inteiro. Seu mandato chegou ao fim e, ainda que ele fosse ligado diretamente à política, ele é um dos principais responsáveis pela aparição de um novo W, agora na área econômica. Ele ainda é prematuro, ainda tem um formato de um V, ninguém sabe se ele terá forças para ir adiante em sua jornada. Entretanto, se seguir em frente em sua existência,causará tantos danos, ou até mais, do que seu predescessor.
Agora só resta ao mundo sentar à mesa e aguardar para saber se a sopa de letrinhas vai causar uma tremenda indigestão ou não.
Vale a lida também de uma análise feita em julho de 2009 ainda.
Recuperação em W, U, V... Veja o que especialistas esperam da Bolsa
Mau humor
4 de fevereiro de 2010 | 20h16
Celso Ming
Hoje os mercados sentiram a fraqueza de pernas que ataca os países de alta renda (veja tabela e o Confira).
Há apenas 15 dias, o presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, denunciava a fragilidade da situação fiscal “de muitos países do bloco do euro”. De lá para cá, os capitais fugiram espantados com a falta de segurança inspirada pelos títulos de dívida dos chamados Piigs (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha) e, hoje, Trichet convidou os analistas a dar melhor proporção às coisas: “A zona do euro tem situação fiscal melhor do que Estados Unidos e Japão.”
Na semana passada, os mercados haviam festejado o crescimento do PIB americano no quarto trimestre, a um ritmo animador de 5,7% ao ano. Mas mantiveram-se cegos a dois dados essenciais. O primeiro é o de que esse avanço do PIB não passa do efeito de um doping: o dos trilhões de dólares injetados nos bancos e na economia dos Estados Unidos pelo Tesouro e pelo Federal Reserve (Fed).
E o segundo, o de que crescimento econômico com aumento do desemprego não pode ser confiável, já que não sustenta o aumento da produção.
Para agravar o quadro, até mesmo a qualidade dos títulos soberanos do país mais poderoso do mundo começa a ser questionada. Hoje, uma das três mais importantes agências de classificação de risco, a Moody’s, advertiu que poderá desclassificar os Títulos e Notas do Tesouro americano, referência número 1 do mercado de ativos.
Imagine o baque que uma desclassificação dessas produziria nas reservas internacionais dos bancos centrais e no patrimônio de fundos de pensão e seguradoras.
A rigor, os mercados não vêm reagindo a nenhum dado novo. A deterioração das finanças dos países riscos é amplamente conhecida. Se houve alguma coisa nova foi ter “caído a ficha”. A corrida em direção aos refúgios em dólares parece ter sido apenas instintiva. Logo essa gente vai se perguntar se, diante do que já se sabe sobre a situação fiscal dos Estados Unidos, o dólar merece toda essa confiança.
Essas coisas descrevem um desenho lógico, como escreveu Chico Buarque. E o que se pergunta agora é se o treme-treme de hoje não reflete a tão temida curva em W da atividade econômica global, ou seja, de nova recaída para uma recuperação sabe-se lá quando.
Se esse desenho se confirmar, os bancos centrais dos países ricos terão de adiar indefinidamente o início da estratégia de saída, ou seja, o início do enxugamento do excesso de recursos que hoje zanza pelos mercados.
E o Banco Central do Brasil, que hoje acenou para mais dureza na condução da política de juros, poderá vir a ser obrigado a rever essa postura.
Confira
Falta o lado de lá – A derrubada dos mercados começou na Europa, quando as bolsas da Ásia já tinham fechado seus trabalhos. Apenas a partir da madrugada desta sexta é que se saberá como as bolsas do Oriente terão reagido ao vendaval.
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