Mostrando postagens com marcador Economia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Economia. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Mais um W assustando o mundo

Durante 8 anos um W causou medo e preocupação no mundo inteiro. Seu mandato chegou ao fim e, ainda que ele fosse ligado diretamente à política, ele é um dos principais responsáveis pela aparição de um novo W, agora na área econômica. Ele ainda é prematuro, ainda tem um formato de um V, ninguém sabe se ele terá forças para ir adiante em sua jornada. Entretanto, se seguir em frente em sua existência,causará tantos danos, ou até mais, do que seu predescessor.
Agora só resta ao mundo sentar à mesa e aguardar para saber se a sopa de letrinhas vai causar uma tremenda indigestão ou não.

Vale a lida também de uma análise feita em julho de 2009 ainda.

Recuperação em W, U, V... Veja o que especialistas esperam da Bolsa

Mau humor

4 de fevereiro de 2010 | 20h16

Celso Ming


Hoje os mercados sentiram a fraqueza de pernas que ataca os países de alta renda (veja tabela e o Confira).

Há apenas 15 dias, o presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, denunciava a fragilidade da situação fiscal “de muitos países do bloco do euro”. De lá para cá, os capitais fugiram espantados com a falta de segurança inspirada pelos títulos de dívida dos chamados Piigs (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha) e, hoje, Trichet convidou os analistas a dar melhor proporção às coisas: “A zona do euro tem situação fiscal melhor do que Estados Unidos e Japão.”

Na semana passada, os mercados haviam festejado o crescimento do PIB americano no quarto trimestre, a um ritmo animador de 5,7% ao ano. Mas mantiveram-se cegos a dois dados essenciais. O primeiro é o de que esse avanço do PIB não passa do efeito de um doping: o dos trilhões de dólares injetados nos bancos e na economia dos Estados Unidos pelo Tesouro e pelo Federal Reserve (Fed).

E o segundo, o de que crescimento econômico com aumento do desemprego não pode ser confiável, já que não sustenta o aumento da produção.

Para agravar o quadro, até mesmo a qualidade dos títulos soberanos do país mais poderoso do mundo começa a ser questionada. Hoje, uma das três mais importantes agências de classificação de risco, a Moody’s, advertiu que poderá desclassificar os Títulos e Notas do Tesouro americano, referência número 1 do mercado de ativos.

Imagine o baque que uma desclassificação dessas produziria nas reservas internacionais dos bancos centrais e no patrimônio de fundos de pensão e seguradoras.

A rigor, os mercados não vêm reagindo a nenhum dado novo. A deterioração das finanças dos países riscos é amplamente conhecida. Se houve alguma coisa nova foi ter “caído a ficha”. A corrida em direção aos refúgios em dólares parece ter sido apenas instintiva. Logo essa gente vai se perguntar se, diante do que já se sabe sobre a situação fiscal dos Estados Unidos, o dólar merece toda essa confiança.

Essas coisas descrevem um desenho lógico, como escreveu Chico Buarque. E o que se pergunta agora é se o treme-treme de hoje não reflete a tão temida curva em W da atividade econômica global, ou seja, de nova recaída para uma recuperação sabe-se lá quando.

Se esse desenho se confirmar, os bancos centrais dos países ricos terão de adiar indefinidamente o início da estratégia de saída, ou seja, o início do enxugamento do excesso de recursos que hoje zanza pelos mercados.

E o Banco Central do Brasil, que hoje acenou para mais dureza na condução da política de juros, poderá vir a ser obrigado a rever essa postura.

Confira

Falta o lado de lá – A derrubada dos mercados começou na Europa, quando as bolsas da Ásia já tinham fechado seus trabalhos. Apenas a partir da madrugada desta sexta é que se saberá como as bolsas do Oriente terão reagido ao vendaval.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Investimento, cadê?

INVESTIMENTO! Esse mantra vem se perpetuando nos últimos anos, entretanto, apesar da sua repetida propagação, as atitudes para transformar a pregação em ação não ocorrem. Então temos que nos conformar com as taxas de crescimento que apresentamos ano após ano e acharmos um fato extremamente positivo. Não que não seja positivo, mas extremamente já é extremo.

Segue mais um texto relativo ao assunto, e uma análise interessante sobre o que foi chamado de MAROLINHA. Será que a onda foi tão pequena assim como foi propagada? Vale a leitura.


ESPAÇO ABERTO
'Marolinha' foi vagalhão
Roberto Macedo


O Estado de São Paulo, 21/10/2010

A crise econômica mundial, que aqui chegou com vigor em setembro de 2008, continuará a atrair a atenção de curiosos e estudiosos. Nos meios acadêmicos haverá muitos artigos, dissertações, teses e debates em torno de suas causas e seus desdobramentos. A quem busca temas específicos lembro a lição objetiva recebida de um orientador de tese: "Você terá um tema quando se deparar com pergunta ainda sem resposta ou, então, entender que uma já dada não se sustenta em sua lógica."

Há muito por elucidar quanto à crise e também respostas a questionar. Entre estas, a do presidente Lula aos efeitos da crise no Brasil, apontando que foram uma "marolinha".

Lula é conhecido defensor de teses fora dos bancos acadêmicos, mas deixa aberto um flanco com seu enfoque metodológico centrado em análises históricas. Nelas, pergunta a si mesmo sobre alguma coisa e se precipita a responder que "nunca antes neste país" (NANP) aconteceu isto ou aquilo. Esse método é vulnerável, porque oferece ao questionador a oportunidade de olhar nossa História de cinco séculos, com boa probabilidade de achar exemplos em contrário.

Lula perguntou-se sobre o efeito da crise e respondeu com essa tese da "marolinha", sem uso do NANP. Discuti-la também é interessante e outra razão é que foi lançada com a crise em andamento e, assim, na ocasião, sem maiores elementos para julgamento. Ademais, ele poderia alegar que fez uma avaliação relativamente ao efeito em outros países, ainda que sem precisar quais.

Mas o tempo foi passando e já há sólidas evidências a ponderar. Argumentarei que a "marolinha" foi um vagalhão, ainda que não um tsunami. A avaliação estende-se à tese em termos relativos, pois há países que se saíram muitíssimo melhor que o Brasil. Esses países precisam ser analisados, em particular na origem e na dinâmica de suas altas taxas de investimento relativamente ao produto interno bruto (PIB). Ou seja, daquela parcela da produção que amplia a capacidade produtiva de uma nação, como por meio de novas fábricas, expansão do setor serviços e obras de infraestrutura, particularmente as realizadas pelo setor público. Isso para que o Brasil aumente também a sua taxa, cresça mais e fique menos vulnerável a vagalhões, tsunamis e marolas de todo tamanho.

Quanto a este, recentemente surgiram os primeiros números medindo-o como proporção do PIB, ensejados pelo fim de 2009, já se sabendo assim, com razoável grau de precisão, como foi o desempenho desse ano que passou.

Vieram do economista Regis Bonelli, da Fundação Getúlio Vargas-RJ. Conforme este jornal de 11 do mês passado, ele calculou o custo da "marolinha" entre R$ 150 bilhões e R$ 210 bilhões em 2009, baseando suas estimativas no raciocínio de que sem a crise nosso PIB teria crescido entre 5% e 7% no ano, e com ela as estimativas desse crescimento são próximas de zero. A matéria não fala do valor do PIB, mas sabe-se que o PIB brasileiro tem um valor perto de R$ 3 trilhões. Esse número, ao lado dessas perdas de 5% a 7% de crescimento, leva às referidas estimativas do custo da crise em 2009.

Dados do IBGE confirmam esse valor aproximado do PIB, mostrando que ele foi de R$ 3,004881 trilhões em 2008; supondo crescimento zero em 2009, ele teria crescido, então, só por conta da inflação, que fechou o ano em 4,31%, segundo o IPCA. O índice de preços por trás do PIB é outro, mas deverá também mostrar taxa pequena. Supondo a mesma variação do IPCA, o efeito da "marolinha" em 2009 subiria para entre R$ 156 bilhões e R$ 220 bilhões a preços desse ano, não fazendo assim muita diferença nessa escala.

Um adendo que leva a uma diferença maior viria da lembrança de que a crise teve efeitos já em 2008, quando o PIB cresceu 5,1%. Supondo que poderia ter crescido mais 1%, isso geraria uma perda adicional de R$ 30 bilhões em 2008 e ampliaria os números de 2009 para entre R$ 158 bilhões e R$ 221 bilhões. Somando os dois anos, a média das estimativas alcançaria um valor perto de R$ 220 bilhões.

Em qualquer caso, a perda foi imensa, pois assumiu valores como esses, significando também mais de um ano perdido de crescimento do PIB e levando a perdas que famílias sofreram na forma de desemprego e queda de renda, que no setor produtivo fizeram cair a produção e no governo, a arrecadação.

Para se ter outra ideia, números nos jornais de ontem mostraram que as estimativas citadas para 2009 equivalem aproximadamente a toda a arrecadação do INSS no mesmo ano (R$ 184,6 bilhões), ou às despesas que deficitariamente nele realizou (R$ 228,2 bilhões), em particular com seus quase 20 milhões de aposentados.

Quanto à avaliação relativa, deve-se mirar não nos muitos países que se saíram pior que o Brasil, mas nos poucos que registraram taxas positivas e elevadas, a menos que nos conformemos com o padrão que hoje já contamina o País, o de se contentar com pouca coisa. Na China, segundo o último número da revista The Economist, as estimativas de crescimento em 2009 e 2010 são de 8,2% e 8,6%, respectivamente; na Índia, de 5,5% e 6,3%, destacando-se assim a manutenção de altas taxas de crescimento no ano mais marcado pela crise. O Brasil aparece com nada em 2009 e 4,8% em 2010.

Ora, a grande diferença na dinâmica econômica desses três países são suas taxas de investimento. China e Índia mostram taxas próximas de 40% e 30%, respectivamente, enquanto que o Brasil ficou anos mais perto de sofríveis 17%. Pouco antes da crise, no terceiro trimestre de 2008, chegou a 20,1%, mas o último dado, do terceiro de 2009, revela que caiu para 17,7%.

Enquanto isso, nosso presidente, contentando-se com muito pouco, sai pelo País com a ministra Dilma a alardear "sucessos" de seu MPAC, pois seu programa merece mesmo é o nome de Muito Pouco de Aceleração do Crescimento.

Roberto Macedo, economista (UFMG, USP e Harvard), professor associado à Faap, é vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Novas bolhas?

Excesso de liquidez nos mercados mundiais.

CELSO MING - As novas bolhas

Por toda a parte espocam advertências de que a economia mundial está produzindo novas e perigosas bolhas de ativos. Desta vez, não é mais o esticão nos preços dos imóveis e os empréstimos hipotecários que despertam preocupações. O suspeito da hora é a disparada das commodities, especialmente das matérias-primas metálicas. Mas há quem meta nesse mesmo saco o mercado de ações.

O gráfico mostra o comportamento de um dos principais índices medidores dos preços das commodities, o Commodities Research Bureau (CRB), que avançou 28,4% no período de 12 meses terminado em 15 de janeiro.

Como acontece em todos os acidentes da aviação, está errado atribuir essa alta a apenas um fator isolado. É sempre um conjunto deles. Tem a ver com o bom desempenho das economias emergentes, especialmente a da China, e, também, com a recuperação dos negócios nas economias dos países ricos. Sugerem, ainda, a volta da formação de estoques que haviam caído com a crise e o estancamento do crédito. Mas o principal fator por trás do avanço dos preços das commodities é a existência de uma enorme liquidez global. Essa liquidez é o resultado da atuação de tesouros nacionais e bancos centrais durante a crise, que, conjuntamente, devem ter injetado alguma coisa próxima dos US$ 10 trilhões, com o objetivo de impedir a prostração da economia mundial numa provável depressão.

Há plena consciência de que, mais cedo ou mais tarde, tesouros e bancos centrais terão de trazer essa dinheirama de volta para casa. Se é verdade que a origem da crise de 2008 foi o excesso de moeda emitida pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), deixar que esses US$ 10 trilhões extras girem pelos mercados e inflem novas bolhas de ativos implica deixar que se forme uma crise ainda pior mais à frente. Essa é a razão pela qual os presidentes dos grandes bancos centrais aproveitam toda a ocasião que têm para avisar que, daqui a pouco, irão começar a operação de enxugamento da liquidez também conhecida por "estratégia de saída".

O problema é que ninguém consegue enxergar como isso poderá acontecer sem colocar em risco a recuperação da atividade econômica ainda frágil.

O desemprego continua aumentando nos países ricos. A União Europeia enfrenta não apenas o crescimento do déficit orçamentário da maioria dos seus membros, mas, também, o vencimento do prazo de ajuda ao desemprego. A Alemanha tem 6 milhões de trabalhadores contemplados com subsídios do emprego de jornada reduzida (kurzarbeit) cujos contratos vencem, na sua maioria, em março e abril.

É essa síndrome que leva alguns economistas (entre eles, Nouriel Roubini, que previu a crise) a advertir que a atual recuperação despencará numa forte recessão a ser revertida mais adiante. É o que, segundo eles, desenhará nos gráficos a linha em formato de W, que provocaria um montão de mortos e feridos antes que a última perna do W se pusesse novamente de pé.

Se o quadro de recaída de fato se confirmar, ficará também inviabilizado qualquer programa de enxugamento de liquidez pelos bancos centrais. E aí será preciso ver até que ponto os próprios bancos centrais conseguirão evitar a formação das tais novas bolhas de ativos.