domingo, 22 de agosto de 2010

Gargalos travam competitividade brasileira

Folha de São Paulo,  20 de maio de 2010


Gargalos travam competitividade brasileira
Carga tributária e deficiências na infraestrutura deixam Brasil no 38º lugar em ranking sobre ambiente econômico que inclui 58 países
Estudo destaca a má qualidade da educação e burocracia excessiva para abrir empresas; melhoria na gestão privada é elogiada

NATÁLIA PAIVA
DA REDAÇÃO 

Gargalos institucionais (como leis defasadas e sobrecarga tributária) e de infraestrutura (logística e tecnologia) ainda travam a competitividade do Brasil no cenário internacional.
A oitava economia do mundo ocupa apenas o 38º lugar num ranking com 58 países feito pela faculdade suíça Instituto Internacional para o Desenvolvimento da Administração, em parceria no Brasil com a Fundação Dom Cabral (FDC).
O estudo, que mede o ambiente de negócios, considera dados oficiais e entrevistas com empresários.
A posição brasileira, contudo, já foi pior. Pelo terceiro ano consecutivo, o Brasil subiu no ranking. As duas posições avançadas em 2010 foram conquistadas graças à melhora na gestão das empresas e à resiliência do mercado de trabalho durante a crise.
Quesitos como flexibilidade ante novos desafios e adaptabilidade a mudanças puxaram o Brasil para uma posição menos desconfortável. O desempenho econômico, especialmente no que diz respeito à atividade doméstica, seguiu como outro ponto de relativo conforto.
As principais fraquezas, contudo, continuam na falta de eficiência do governo em todas as esferas -nesse segmento, o Brasil está entre os lanternas, em 52º- e na infraestrutura deficitária, segmento que inclui logística, tecnologia, ciência, educação, saúde e ambiente.
Leis defasadas, carga tributária alta, ausência de marcos regulatórios, burocracia excessiva para abrir empresas e firmar contratos de exportação são algumas das travas, que "seguram" a competitividade.
"Na variável sobre a facilidade de fazer negócios nos países, numa escala de 1 a 7, o Brasil está em 2,3. As empresas têm a percepção de que o Brasil é um país importante para estar, mas que requer mais cuidado e custo. No tempo para abertura de empresas, estamos entre os piores", diz Carlos Arruda, professor da Dom Cabral responsável pelos dados brasileiros.
"Esse é o pilar mais crítico, que impacta os demais, principalmente o de infraestrutura, que depende de ações do governo." Durante a entrevista, por Skype, de Arruda à Folha, a conexão foi cortada três vezes. O quesito infraestrutura tecnológica (que mede a qualidade de serviços como a banda larga ofertada no país) o Brasil ficou na 53ª posição.
Em infraestrutura como um todo, o Brasil caiu de 46º para 49º, afetado principalmente pela precariedade dos portos e das hidrovias e pelo preço dos serviços de telefonia celular.
Para Juan Quirós, vice-presidente da Fiesp e ex-presidente da Apex Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), o estudo leva a concluir que as áreas mais sensíveis para a competitividade no Brasil são saúde e educação (40ª e 53ª posições, respectivamente) e que é preciso "modernizar" a legislação.
Exemplo desses problemas, diz, são as barreiras para investimento externo em saúde.
"Subir [no ranking] é positivo, mas temos de focar o que pode nos levar para a 30ª posição. Estamos cansados de diagnósticos. Agora, temos de agir."

Mundo afora
Pela primeira vez em décadas, os EUA saíram da primeira posição do ranking, ultrapassados pelos pequenos Cingapura e Hong Kong, que conseguiram se organizar de forma mais competitiva.
Os países europeus, fortemente afetados pela crise econômica global, foram os que mais perderam posições, abrindo espaço para economias com classe média ascendente, como Taiwan (foi do 23º lugar para o 8º) e Malásia (do 18º ao 10º).

Nada como o esporte p celebrar a vida

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MINHA HISTÓRIA
CRISTINA DE BARROS, 43

Pedalando atrás da cura
...Fui mordida pelo bicho do cicloturismo, sabia que iria viajar mais... Foi quando o exame de rotina detectou o câncer de colo do útero... Fizeram um corte de 30 cm na minha barriga, fui virada do avesso, mas deu tudo certo

Marisa Cauduro/Folhapress

A professora de educação física e ciclista Cristina de Barros na USP, onde costuma treinar

RESUMO
Há cinco anos, a professora de educação física Cristina de Barros foi operada de um câncer de colo do útero. Sete meses meses depois, retirou um ovário, por causa de um cisto hemorrágico. Para comemorar a cura, ela acaba de percorrer 2.700 km de bicicleta, unindo as capitais do Sudeste e divulgando a importância dos exames preventivos.

...Depoimento a

IARA BIDERMAN
DE SÃO PAULO

Acabei de voltar de uma viagem de bicicleta passando por todas as capitais do Sudeste brasileiro. Fiz o trajeto, de 2.700 km, sozinha, para comemorar a cura de um câncer no colo do útero, operado há cinco anos.
Eu não pedalava para valer até 2000, quando me divorciei. Depois da separação, eu estava naquela de pensar: "não sei se me caso (de novo) ou compro uma bicicleta". Naquele momento, achei melhor comprar a bicicleta.
Comecei a pedalar no meu bairro, nos parques Ibirapuera e Villa-Lobos e na USP, que é perto da minha casa. Sou professora de educação física, gosto de esporte, resolvi unir o útil ao agradável.
Conheci a trupe da bike, ouvi falar do cicloturismo e quis experimentar. Eu adoro viajar. Minha primeira viagem de bicicleta foi o Caminho do Sol, de Santana do Parnaíba a Águas de São Pedro, no Estado de São Paulo. São 250 km pedalando.
Eu amei de paixão, fui mordida pelo bicho do cicloturismo, sabia que iria viajar mais. Foi quando, no exame ginecológico de rotina, o teste de Papanicolau detectou o câncer de colo do útero.
Esse câncer é assintomático, se você não faz o exame preventivo pode ficar anos sem saber que tem a doença. A sorte é que descobri logo, peguei o bicho no laço.

VIRADA DO AVESSO
Foi em agosto de 2005, eu estava com 38 anos. Um mês depois fui para a mesa de cirurgia. Retiraram todo o útero. Eu não tenho filhos, mas não faz mal, tem tanta criança aí para ser adotada.
Na cirurgia, fizeram um corte de 30 cm na minha barriga, fui virada do avesso, mas deu tudo certo. Difícil foi a recuperação.
Fiquei um mês sem poder sair da cama e mais três meses sem fazer atividades físicas. Uma tortura para mim, que sempre fui muito ativa. Quando estava recomeçando, fazendo caminhadas leves, tive um cisto hemorrágico em um dos ovários.
Eu ia completar sete meses da primeira operação e fui para a mesa de cirurgia de novo. O ovário estava inchado, os médicos não sabiam se era decorrência do câncer.
Mesmo assim, eu não fiquei preocupada com a cirurgia. Mas a recuperação me preocupava. Foram mais quatro meses de molho.
Certos dias, eu tinha de me jogar da cama para fazer alguma coisa. Eu não queria nem acordar.
Mas acho que 90% da recuperação depende da gente, 10% da medicina. Se isso é algo comprovado, eu não sei. Mas acreditei nisso, e brigava comigo mesma para sair de casa, andar de bicicleta.
Cheguei a perguntar para a médica se tinha um comprimidinho para levantar o astral. Ela me disse que até tinha, mas que, para mim, pedalar era o melhor remédio.
Então eu ia. Pegava a bicicleta e falava "não gosto de você", mas pedalava. No final de 2006, eu já tinha retornado ao ciclismo.

CAMINHO DE SANTIAGO
No início de 2007, comecei a programar uma viagem para Santiago de Compostela, em julho. Como dava aulas para o primeiro e segundo grau, precisava ir na época das férias escolares.
E como o Caminho de Santiago é para ser feito a pé, a cavalo ou de bicicleta, eu já sabia como faria o trajeto.
Procurei uma equipe esportiva para fazer o treinamento. Eles são especializados em triatlo e eu queria fazer turismo, nada de competir. Mas treino é treino, você tem que se preparar física e psicologicamente.
Menos de dois anos depois da segunda operação, coloquei a bicicleta no avião e fui embora. Comecei a trilha na França. No quarto dia, caí e quebrei uma costela.
Mas continuei pedalando os 700 km até Compostela. Eu não tinha atravessado o oceano inteiro para voltar quatro dias depois.
Nesse tipo de viagem, fatalmente as notícias correm. Então muita gente vinha falar comigo. Você é a tal Cristina, brasileira, que quebrou a costela e teve câncer?
A pergunta clássica era: "está pagando promessa?". Não, acho que você não barganha com o Céu. Não barganhei, mas agradeço sempre, da hora em que acordo à que vou dormir.
Tudo bem, fiz a minha parte. Eu contava que tudo deu certo também porque eu peguei o câncer no começo, por fazer sempre os exames preventivos. Comecei a divulgar a importância desses exames intuitivamente, por acaso. Eu não tinha viajado para isso, estava de férias.
Mas a ideia estava surgindo. No ano seguinte, 2008, um amigo meu sugeriu um projeto: pedalar por um mês registrando histórias de superação das pessoas encontradas no caminho.
Foi bárbaro, mas ainda não era exatamente o que eu tinha pensado: falar sobre a importância dos exames preventivos.

E.T. DE CAPACETE
Tirei um ano sabático e fui fazer a Estrada Real, em Minas Gerais. Um carro de apoio me acompanhou, dirigido na primeira parte por um amigo e na segunda, por minha irmã.
Agora, imagine surgir no sertão de Minas Gerais essa figura com capacete. Eu era um verdadeiro ET. Claro que as pessoas ficavam curiosas e vinham conversar comigo. E assim que davam uma brecha, eu falava sobre prevenção, não só para câncer, mas para coração, pulmão, tudo.
Eu sou a prova viva de que vale a pena se cuidar. Não que eu queira ser a salvadora do mundo, é uma responsabilidade muito grande. Mas se chega alguém todo suado, segurando uma bicicleta, é mais fácil as pessoas ouvirem e acreditarem.

CURADA
Tenho amigos que dizem que eu sou rodada, falada e aventureira. E, em 2010, curada. A aventura deste ano precisava ser especial. Os protocolos da medicina dizem que só depois de cinco anos você pode afirmar que se curou do câncer.
Pela primeira vez, fui viajar já com palestras programadas, para falar da prevenção. Foram cinco, além de todas as conversas informais sobre o assunto.
O trajeto é o mais longo que já fiz, 2.700 km. Mais de 2.000 pedalando mesmo. Em trechos mais perigosos, peguei carona. Eu gosto de desafios, mas também sei respeitar meus limites.
Agora, pretendo escrever um livro sobre minhas viagens. E pedalar, claro.
Quero fazer o caminho de São Francisco de Assis, na Itália. E o Tour de France. Não para competir, só para completar o trajeto. Ou, quem sabe, unir de bicicleta todas as capitais do Brasil.


Fonte: Folha de São Paulo em 22/08/2010

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

A verdadeira história da internet

Para quem é fã de internet e tecnologia, os programas produzidos e apresentados pelo Discovery Channel sobre a internet são satisfação garantida. O programa foi ao ar pela primeira vez em 2008, e agora está sendo reapresentado, na programação do Discovery Theather HD. Em 4 episódios o jornalista John Heilemann, correspondente especial da revista Wired, relata histórias a respeito do surgimento e do crescimento da internet, os conflitos travados, bastidores e seus protagonistas.

A INTERNET (DOWNLOAD: THE TRUE STORY OF THE INTERNET)

http://science.discovery.com/tv/download/download.html

A Guerra dos Navegadores
Esta é a história de uma batalha épica entre a mais forte corporação dos Estados Unidos e um pequeno grupo de nerds que criou uma tecnologia revolucionária. A disputa envolveria o governo dos Estados Unidos, criaria bilhões de dólares em riquezas e mudaria a vida de todos – trata-se da guerra dos navegadores. A janela para o mundo da rede é o navegador – o simples software que permite aos usuários navegar pelo ciberespaço. Para muitos, o Internet Explorer é a opção mais óbvia, mas nem sempre esse foi o único navegador disponível. Após Sir Tim Berners-Lee ter inventado a rede, em 1991, essa corrida começou a direcionar as suas idéias para algo que tivesse um apelo popular universal. Um grupo de estudantes da Universidade de Illinois criou um navegador simples, porém atraente, chamado Mosaic. Sua ascensão meteórica aliada a uma atitude arrogante despertou o gigante adormecido do Vale do Silício – a Microsoft – desencadeando uma reação tão rápida e brutal que faria com que o governo dos Estados Unidos tivesse que intervir. Com relatos das equipes criadoras do Netscape e do Internet Explorer, John Heleimann mostra como um grupo de garotos com uma grande idéia quase desbancou a maior empresa de software do mundo.

A Pesquisa
Quando Larry Page e Sergey Brin se voltaram para os problemas da utilização de mecanismos de buscas na internet, muitos não deram atenção. Afinal, o Yahoo havia aparentemente monopolizado o mercado com seu mecanismo de busca onipresente e parecia não existir a necessidade de mudar algo que funcionava bem. Mas os dois intelectuais estavam convencidos que tinham uma maneira melhor para que as pessoas encontrassem o que estavam procurando na então confusa internet. Isso marcou o nascimento do Google, que mudaria tudo. Ao invés de buscas, as pessoas faziam “Googles”. Mas até se transformarem na gigante atual, o desenvolvimento da empresa foi recheado de idéias brilhantes, de oportunidades perdidas e de uma maneira completamente nova de pensar os negócios.

eBay e Amazon
Amazon e eBay, os dois titãs do moderno comércio eletrônico, são bem-sucedidos e também muito diferentes. Neste episódio, seus fundadores, Jeff Bezos e Pierre Omidyar, contam a história de como seus negócios cresceram do nada para o domínio da economia global e mudaram profundamente o modo de vida das pessoas. Quando Jeff Bezos apareceu pela primeira vez com a idéia do Amazon, ninguém acreditava que ela tivesse futuro. Já Pierre Omidyar concebeu o eBay como um hobby que vale hoje 45 bilhões de dólares. Por meio desses e de outros personagens, reviva o crescimento estratosférico da internet e como o mundo passou do desconhecimento total da internet para a super valorização de ações de qualquer companhia pontocom, não importando quão medíocre fosse o seu plano comercial.

O Futuro Digital
Tudo começou com o Napster, um meio para a troca de músicas concebido por um adolescente chamado Shawn Fanning, que foi considerado um marco controverso na história da internet. Para alguns, o Napster era um serviço que facilitava o roubo digital. Mas para outros, a maneira revolucionária de compartilhamento de dados do Napster celebrou a popularização do que os primeiros nerds já sabiam o tempo todo: a Web é o lugar perfeito para a colaboração e para formação de comunidades. Mas o sucesso do Napster também foi o motivo da sua queda. A maciça popularidade chamou a atenção do mundo corporativo, que viu as pessoas baixando músicas de graça e entrou com pesados processos contra o Napster e seus usuários. Mas graças a esse sistema os usuários estavam acostumados a colaborar, a comunicar e a compartilhar informações de graça por toda e rede. Embora o Napster tenha sido extinto rapidamente, as sementes haviam sido plantadas para uma nova revolução que iria finalmente liberar todo o potencial da Web, criando a Web 2.0. A partir do Digg, passando por Second Life e grandes sucessos como Wikipedia, Delicious e YouTube, John Heilemann mostra que são os usuários da Net que lhe conferem um grande poder – empresas que entendem e sabem tirar proveito disso têm sido os maiores vencedores da corrida pelo “ouro digital”.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Sobrecarga de informações?

Não sei se você padece do mesmo mal que me atinge há algum tempo. Tenho a constante sensação de que não li tudo que deveria ter lido, sejam livros, revistas, blogs ou jornais. Que não assisti a tudo que deveria ou gostaria de ter assistido, são tantos filmes, séries, programas, canais, na tv, na internet. Não ouvi ainda o som daquela banda que vem bombando no MySpace. Será que perdi algum post com informação interessante no timeline do meu Twitter? É a eterna sensação que deixei passar algo.

Algumas vezes me sinto sobrecarregado, achando que estou me cobrando demais. Em uma época em que somos assolados por uma enxurrada de informações devemos nos organizar mentalmente e buscar combater esse excesso de ansiedade. Pelo menos é o que tenho tentado fazer, além de sentir um certo saudosismo, mas que passa logo, da época em que ficávamos meses aguardando o lançamento de um novo LP, ou quando me debruçava sobre dois ou três livros em busca de conhecimento acerca de determinado assunto, ao invés de acessar 197.315 sites encontrados no Google que trazem as informações procuradas, e que em 95% da vezes é repetida.
Não estou reclamando do enorme universo de possibilidades que se abriram nessa “Era da Informação”, pelo contrário, acho muito bom e busco tirar o melhor proveito. Apenas quis compartilhar algo que tenho certeza que diversas outras pessoas também sentem e resolvi postar esse artigo de autoria do Dr. Ryon Braga, que encontrei na internet, que trata do assunto de forma muito elucidativa. Pode ser que muito do que é tratado no artigo você já saiba, mas o simples ato de ler a respeito e refletir, pode ajudar a organizar as idéias, assim como me ajudou. Bom proveito.

O Excesso de Informação - A Neurose do Século XXI
Dr. Ryon Braga
Chegou o fim de semana. Terei para ler três imensos jornais de domingo e uma pilha de revistas de marketing, de management, de publicidade, de informática, de variedades e de educação, além de todo o clipping do setor educacional, acumulado durante a semana. Trouxe para casa cinco livros novos que comprei esta semana, para se juntar às dezenas de outros livros que estão, há meses, na fila de espera para serem lidos. Passei na locadora e aluguei dois filmes imperdíveis, que todos já viram, menos eu. Além disso, pretendo colocar em dia os mais de 100 e-mails atrasados, que estão aguardando resposta. Tem ainda uma festa de aniversário da família para ir, os slides de duas palestras para preparar e um espetáculo teatral excelente que, é claro, já está nos últimos dias na cidade.
Este é um típico final de semana em minha vida, mas, tenho certeza, soa familiar à grande parte das pessoas que estão lendo este artigo. Ele faz parte dos “efeitos colaterais” da chamada Era da Informação – uma era em que a quantidade de informação disponível e acessível pegou a todos nós de surpresa. Não estávamos preparados para ela. Antes, as pessoas não sabiam que não sabiam. Agora, sabem que não sabem, e isso, num mundo competitivo e predatório, gera uma sensação de frustração e incapacidade que, aos poucos, vai se transformando em uma ansiedade cada vez maior.

A Questão da Informação Definição
Para Shanon, autor do livro “A teoria matemática da comunicação”, informação é tudo aquilo que reduz a incerteza. Partindo dessa premissa, o que vivemos hoje não poderia ser definido como a Era da Informação, uma vez que temos uma explosão de dados e fatos que, isoladamente, não têm significado e não produzem compreensão. Sem isso, não reduzem a incerteza e, portanto, passam a ser “não-informação”.

Utilidade
Se o indivíduo não consegue desenvolver mecanismos de coletar e transformar dados e fatos em informação, de nada vale ele ter acesso a miríades de fontes desses dados. Ao contrário, é possível que essa enxurrada de não-informação que ele tem acesso ou recebe diariamente, acabe dificultando ainda mais sua tarefa de transformar tudo isso, primeiro em informação útil, e depois em conhecimento aplicado.

Aplicabilidade
Outra questão pertinente quanto à utilidade da informação é a capacidade do indivíduo em dar aplicabilidade a ela. É muito comum encontrar pessoas matraqueando, de forma tecnicamente correta, um repositório de informações sobre como se faz para resolver determinada situação e, no instante seguinte, mostrarem-se totalmente ineptas para aplicar suas soluções em um contexto mais elaborado. Em uma simples analogia com a pedagogia convencional vemos que, mesmo nas escolas mais bem “sucedidas”, observa-se que a maioria dos bons estudantes (freqüência assídua, notas altas e o reconhecimento dos professores) não demonstra uma compreensão adequada dos conceitos que aprenderam na escola. Eles falham em resolver problemas que são formulados de maneira ligeiramente diferente daquela em que foram formalmente instruídos e testados.

O Excesso de Informação Quantidade
Ninguém duvida dos benefícios que a tecnologia da informação tem proporcionado a todos. Acessar, em tempo real, informações sobre quase tudo que existe no mundo e poder estabelecer contato direto com as fontes de informações, representa uma drástica mudança de paradigma na sociedade humana. Por outro lado, o maior acesso à informação tornou visível a parte “submersa do iceberg” – há informação demais e tempo de menos.
O excesso de informação pode ser percebido através da grandiosidade dos números que os fatos nos mostram:
- Mais de 1.000 novos títulos de livros são editados por dia em todo o mundo;
- - Uma só edição do jornal americano The New York Times contém mais informações do que uma pessoa comum recebia durante toda a sua vida há 300 anos (Revista Veja de 05 de setembro de 2001);
- - Atualmente existem mais de três bilhões de páginas disponíveis na Internet;
- - Estão em circulação mais de 100 mil revistas científicas no planeta;
- - Há 15 anos a Televisão brasileira tinha menos de 10 canais. Hoje tem mais de 100 e, daqui a 10 anos, estima-se, terá mais do 400 canais.

Acesso
Para que possamos entender melhor a questão do excesso de informação vamos verificar um exemplo prático e real. Se um estudante universitário que sabe ler apenas em português e inglês, resolve realizar uma pesquisa aprofundada sobre o tema crianças hiperativas, irá deparar-se com a seguinte quantidade de informações:
- 178.820 páginas na Internet (até 30 de julho de 2003);
- - 6.884 artigos científicos publicados nas revistas da área da saúde nos últimos 12 anos;- 4.748 artigos científicos publicados em revistas da área de educação nos últimos 10 anos;
- - 1.387 artigos e matérias de jornais e revistas informativas (só em português), publicados nos últimos cinco anos; - 557 livros (sendo 32 em português e o restante em inglês).
Mediante estes números, não é preciso muito esforço para perceber que, se o estudante não estiver preparado para o trato com a informação, tenderá a ficar extremamente ansioso, sem saber por onde começar seu trabalho.

Armazenamento
O armazenamento da informação também contribui para o problema da ansiedade. Para a editora da revista eletrônica Mundo Digital, Maria Ercília, está acontecendo uma inversão de paradigma no nosso relacionamento com a informação. “Nossa capacidade de produzi-la era contida e disciplinada pela dificuldade e pelo custo de publicação, transmissão e arquivamento. Hoje o que acontece é exatamente o contrário: esses custos caem mais depressa do que podemos acompanhar.” Se não estamos gastando muito espaço nem dinheiro para guardar algo, acabamos não jogando fora - e gerando uma pilha de dados, que se torna inútil pelo seu próprio volume absurdo. Muitas pessoas têm informações armazenadas em CD, disquetes e no HD do computador que, se impressas, não caberiam em suas casas.

O Excesso de Informação na Mídia

Dispersão
O excesso de informações em forma de textos técnicos, análises, críticas, opiniões, interpretações superficiais, ao invés de embasar o conhecimento e auxiliar a tomada de decisão, acaba causando uma dispersão do conteúdo informacional que pode gerar conclusões mal fundamentadas e decisões equivocadas.
Supérfluo
Segundo o jornalista André Azevedo, o excesso de informação na mídia pode estar causando um relativismo absoluto nas concepções humanas ou um “sentimento de impotência, que costuma levar o indivíduo à apatia, ao conformismo, ao cinismo ou mesmo niilismo - pois a constelação de informações inviabiliza a hierarquia de valores do receptor, impossibilitando-o de avaliar o que é de fato fundamental e o que é supérfluo”.
Para Azevedo, “as futilidades circulam ao lado de grandes questões da humanidade com idênticos formatos, espaços editoriais e repercussão. A notícia importante desaparece, encolhida sob a multiplicação infinita de fofocas sobre celebridades, rusguinhas teatrais entre políticos, declarações oficiais, etc. O viciado em informação precisa saber tanto sobre a nova tecnologia de aparelhos de mp3 quanto o resultado do campeonato mundial de ping-pong, tanto sobre as oscilações da bolsa em Kuala Lumpur quanto à nova safra de desenhos animados do Cartoon Network, independente da necessidade real de saber tais coisas”.

Revistas
Diante deste cenário, as revistas segmentadas que souberem realizar o papel de coletar, selecionar e contextualizar a informação, dentro das necessidades de seu público-alvo, deverão ser as mais bem sucedidas nesta era do excesso de informação.

Ansiedade de Informação
Segundo Richard Wurman, autor do livro “Ansiedade de Informação”, este é o resultado da distância cada vez maior entre o que compreendemos e o que achamos que deveríamos compreender.
Com medo de ficar desatualizado e na busca de acompanhar as miríades de teorias preconizadas pelos “gurus” do conhecimento, muitas pessoas começam a desenvolver sentimentos de ansiedade e frustração, em conseqüência da incapacidade de absorverem toda a quantidade de informações que julgam necessárias.
Para a psiquiatria, a ansiedade surge em conseqüência da superestimulação que não pode ser descarregada por meio da ação. No caso da ansiedade de informação, ela pode resultar tanto do excesso como da carência de informação. O que conta para a gênese da ansiedade é como nos sentimos perante a informação ou a falta dela.
Há um círculo vicioso comum para todos aqueles que ficam ansiosos na busca de informações. Quanto mais informações obtêm, mais ficam sabendo da existência de novas fontes da mesma informação, gerando ainda mais ansiedade. É comum as pessoas se sentirem intimidadas e impotentes frente à quantidade enorme de informações existente à sua volta, e buscarem, portanto, mais e mais informações na vã tentativa de suprir suas inseguranças.
O problema é que tais sentimentos de impotência agravam os sintomas de ansiedade que, por sua vez, reduzem a capacidade de aprender, gerando mais ansiedade e fechando o círculo vicioso.
O mal-estar começa com a sensação de que tudo está acontecendo mais rápido do que se consegue assimilar. Executivos costumam ficar angustiados pensando que os outros estão obtendo mais informações, lendo mais livros, lendo os livros e revistas certos, utilizando softwares melhores, enquanto eles estão ficando para trás em suas carreiras.
Segundo Wurman, são várias as situações que costumam provocar ansiedade de informação: não compreender a informação; sentir-se assoberbado por seu volume; não saber se uma certa informação existe e; não saber onde encontrá-la.

O excesso de informação como elemento de dissociação cognitiva
Manter a capacidade de se concentrar e fixar a atenção, selecionando os estímulos e informações que interessam, tornaramse os grandes desafios desta era do conhecimento. A tentativa de apreender muitas informações ao mesmo tempo prejudica a capacidade de fixação mnemônica dessas informações e, conseqüentemente, a consolidação do aprendizado. A nossa capacidade de reter e consolidar estímulos e informações é limitada, mas nossa percepção não. Isso possibilita que a pessoa se ocupe com várias coisas ao mesmo tempo, mas com perda da capacidade de processar adequadamente o que está fazendo. Nossa percepção do mundo é simultânea, mas nossa ação é seqüencial; se a pessoa não estabelecer prioridades não conseguirá ter um bom desempenho. Não são apenas as informações provenientes de livros, revistas, jornais e dos websites que estão causando ansiedade e problemas. Os e-mails e os telefones celulares começam a entrar no rol dos elementos potencialmente nocivos ao bom desempenho cognitivo dos profissionais ansiosos. E-mails Os e-mails, que representam um marco sem precedentes na facilitação da comunicação humana à distância, estão se tornando um elemento que rouba muito tempo e gera ansiedade nos profissionais mais suscetíveis. Recentes pesquisas mostraram que um executivo norte-americano recebe, em média, de 35 a 120 e-mails diários, dependendo da função e tipo de atividade que exerce. Tomando como base 50 e-mails diários, pelos menos 35 deles são de informações inúteis, repetitivas ou não solicitadas (spams). Estima-se que o executivo gaste de 45 a 60 minutos de seu tempo diário com esse tipo de e-mail. Celular Já o telefone celular, importante elemento de facilitação da comunicação just-in-time, também tem se mostrado, nas mãos dos mais ansiosos, um causador de dissociação cognitiva. Conforme explica Renato Sabattini, neurocientista da Unicamp, quando toca o celular e a pessoa interrompe repetidamente uma tarefa que estava realizando, isso automaticamente inibe os circuitos cerebrais que estavam sendo formados para que a informação fosse decodificada. Ao iniciar outra atividade, como falar ao celular, o cérebro vai ter que formar um novo circuito. Esse vai-e-vem, que é muito desgastante, pode causar lapsos de memória e dificultar a absorção e o processamento das informações que estavam em curso. Deixar-se levar pela avalanche de informações é uma das fontes de danos ao cérebro. Mas não a única. Não concluir as tarefas começadas pode ser muito pior. Atualmente, o telefone celular passou a ser um dos principais elementos geradores de permanentes interrupções nas atividades dos executivos.

A Síndrome do Excesso de Informação
A Síndrome do Excesso de Informação ainda não é uma doença. Considerada isoladamente, ela faz parte dos componentes do stress associado ao trabalho. Mesmo assim, ela já começa a apresentar características próprias. Na medida em que a ansiedade no trato com a informação vai crescendo, o nível de stress vai subindo, com conseqüências mais graves para o nosso organismo. Começa com desordens do humor, com o aumento da irritabilidade e continua com a dificuldade para adormecer, distúrbios da memória até chegar a níveis elevados de stress e desenvolvimento de um comportamento neurótico. É importante ressaltar que a origem do problema está na incapacidade das pessoas em lidar com o excesso de informação e não, obrigatoriamente, na quantidade de informações. Profissionais, pressionados por chefes, gurus, consultores e outros mais, vivem tendo a sensação de que não se sentem capazes de assimilar todas as novidades em sua área, nem de lidar com todas as informações que recebem. O sentimento de obsolescência profissional é o que predomina. Não satisfeitos em curtir sozinhos suas angústias, muitos profissionais acabam passando essa ansiedade para seus filhos. Já estão se tornando comuns depoimentos como o do jovem Ricardo Zalem, de 15 anos, que freqüenta um colégio de ensino médio, estuda inglês e espanhol, pratica voleibol, faz academia e tem aulas semanais de informática e violão. “Eu só queria ter tempo para fazer mais coisas, queria que a semana tivesse 10 dias e que o dia tivesse 36 horas”, diz Ricardo, já candidato aos efeitos da síndrome. Processos de degeneração precoce da memória, que antes só apareciam em pessoas com mais de 50 anos, agora, passam a ser encontrados em pessoas com idade entre 20 a 40 anos. Especialistas do Grupo de Estudos em Linguagem da USP acreditam que tal fato se deva ao excesso de informações e estímulos que bombardeiam nosso cérebro diariamente. São informações cada vez mais rápidas, provenientes dos meios de comunicação, do telefone celular e, principalmente, da Internet. O problema acomete principalmente executivos e profissionais workaholics, que precisam estar sempre bem informados. Um dos principais sinais de início da síndrome é quando você começa a demorar muito para se "desligar" das atividades diárias mesmo quando está fora delas. Exemplo: em casa, no final de semana, na companhia da família ou diante da TV, você não consegue tirar da cabeça o relatório que faltou fazer, o livro que gostaria de ter lido no fim de semana e não leu ou aquele dado do gráfico da companhia que não ficou bem compreendido.

Tomada de Decisão
Outra seqüela do excesso de informação é a dificuldade na tomada de decisão. A imensa quantidade de informações disponíveis para tomar como base cada vez que precisa decidir sobre algo, faz com que o indivíduo sinta-se, cada vez mais inseguro na hora de tomar decisões. Ele fica com a sensação de que ainda poderia obter mais algumas informações que lhe dariam mais embasamento. Além de tudo, o tempo para reflexão vai ficando cada vez mais escasso, cedendo lugar para o tempo gasto na absorção de mais e mais informações.
Para Richard Wurman, a tomada de decisão vai se tornando mais crítica na medida em que aumenta o volume de informações, porque muitas pessoas encaram as decisões com apreensão, uma vez que elas implicam em eliminar possibilidades.
A tomada de decisão, por sua vez, está profundamente relacionada com a capacidade de realização prática ou efetiva de algo. Talvez seja por isso que o indeciso tenha baixa capacidade de realização. Deve advir desse fato o dito popular que fala que se você reunir cinco intelectuais em torno de um projeto prático, terá tantos “senões” e considerações que dificilmente conseguirá concretizá-lo.

Neologismos da Era do Excesso de Informação

Cybercondríacos É a versão digital dos hipocondríacos. São pessoas que pesquisam os sinais e sintomas de determinadas doenças na Internet e passam a acreditar que a possuem. O pior é quando pesquisam sobre o tratamento e passam a se automedicar.
Dataholics Termo criado pelo professor Sabbatini da Unicamp, que serve para designar as pessoas que são “viciadas em informação”. São pessoas que só se sentem seguras após lerem a mesma informação em quatro ou cinco fontes, para checar a veracidade da mesma.
Bulimia Informacional Termo que caracteriza a necessidade compulsiva pela coleta de informações, cada vez em maior quantidade, geralmente de forma pouco criteriosa. O bulímico informacional não se preocupa com a qualidade da informação da qual “se alimenta”, mas sente uma imperiosa necessidade de ficar sabendo de tudo o que se passa nas áreas em que atua.
Obesidade Informacional Resultado da bulimia informacional, nesse caso, a obesidade refere-se ao excesso de informação desnecessária ou pouco relevante, que ao se acumular, prejudica a efetivação do aprendizado relativo às informações que realmente seriam úteis ao indivíduo.

Lemos muito, mas aprendemos pouco
A busca, seleção e leitura de informações deve ser precedida pelo estabelecimento de objetivos bem definidos. Ou seja, antes de ler qualquer coisa você deve responder as seguintes perguntas:
- Por que eu estou lendo este texto?
- - Para que servirão estas informações?
- - Qual o significado dessas informações no meu contexto de vida ou profissional?
- - Como e com o que posso associar estas informações de forma a compreendê-las com mais profundidade?
- - Como posso dar aplicabilidade prática a estas informações?

No mínimo, as respostas a essas perguntas nos ajudariam a organizar nosso tempo e nosso processo de aprendizagem. Mas também poderá ajudar a dar a noção de sentido e prioridade ao que fazemos, de forma que, certamente, passaremos a rever a quantidade e a qualidade das informações que processamos.
A leitura de qualquer tipo de informação deve ser sucedida por um período de reflexão quanto ao significado do material lido. O processo de reflexão exige análise, associação, contextualização e síntese, de forma que ele pode proporcionar não só a criação de conhecimento original, como também auxilia o processo de fixação mnemônica do conteúdo.
Sem isso, teremos a sensação de estarmos “absorvendo” muito, mas na verdade, estaremos aprendendo pouco.

Cosmograma
O Cosmograma, técnica desenvolvida pelo pesquisador brasileiro Waldo Vieira, é um excelente instrumento de auxílio ao pesquisador, no que se refere ao trato com a informação.
Vieira define o Cosmograma da seguinte maneira: “O Cosmograma é a planilha técnica para determinação valorativa das realidades do universo através da associação máxima de idéias (visão de conjunto)”.
A utilização da técnica do Cosmograma proporciona ao pesquisador obter uma mega-síntese da realidade pesquisada, através do entrecruzamento de informações e análise minuciosa dos fatos. O Cosmograma permite:
- Compreender a interdisciplinaridade dos fatos cotidianos;
- - Ampliar a visão de conjunto dos fenômenos existenciais;
- - Aumentar a criatividade, obtida através da acumulação de achados (informações); somada ao processo de correlacioná-las sucessivamente (associação de idéias);
- - A identificação da essência por trás de fenômenos específicos.

Como Trabalhar o Excesso de Informação
- Admita para você mesmo que você será um eterno aprendiz. Nunca poderá nem precisará saber de tudo;
- - Lembre-se sempre que você não precisa saber tudo, mas somente como encontrar o que precisa. O mais importante, então, não é acumular informações, mas aprender a localizá-las e inseri-las em um contexto que faça sentido prático (aplicabilidade). Vale mais saber como localizar e selecionar as informações sobre determinado assunto do que tentar saber tudo sobre ele. Quando você realmente precisar deste conhecimento, você pode construí-lo com rapidez;
- - Aprenda profundamente como funcionam os princípios e métodos de organização das informações, para poder extrair delas valor e significado. Descubra como a estrutura da informação está organizada (num livro, numa revista, num jornal ou na Internet), isto é a chave para a correta busca e seleção da informação;
- - Compreenda que grande parte dos textos e sites na Internet dizem a mesma coisa com outras palavras;
- - Sempre estabeleça limites na busca de informações (cronológico e quantitativo); - Procure aprender os melhores critérios de seletividade. Não leia as informações provenientes de boas fontes. Leia apenas as de fontes excelentes. Priorização é a chave;
- - Procure associar sempre idéias e conceitos com fatos. Desta forma, a recuperação da informação será sempre mais fácil;
- - Ao invés de ler sempre todas as notícias e fatos que lhe interessam, recorte-os e guarde em uma pasta, separando-os por assunto. Quando uma pasta, sobre determinado assunto, tiver mais do que 50 recortes, leia-os todos de uma vez. Com isso você aprenderá a ter mais visão de conjunto, associar informações com mais facilidade, e então, você descobrirá o tempo que você perdia lendo a mesma coisa em vários lugares diferentes ou com outras palavras;
- - Também é importante saber quem são as pessoas-chave que poderão ajudá-lo a integrar e contextualizar as informações quando você precisar;
- - Procure concluir as tarefas que começou. Cada vez que você abandona uma atividade para fazer outra (pára de ler um email para atender ao telefone, por exemplo), o seu cérebro interrompe a construção de circuitos neuroniais necessários àquela atividade para iniciar outra. Isso promove o esquecimento da primeira tarefa e exige mais energia do cérebro.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Ibov 30/07

Resistência nos 68 mil e IFR sobrecomprado podem dar indícios de topo.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Procura-se novos moradores

Galera, estou usando o espaço do blog para lançar uma campanha de busca de novos moradores para essa casa, nas fotos aí abaixo. Não, não é nenhum tipo de reality show, nem nada do gênero.

É que o nosso amigo PH, ilustre anfitrião desta humilde morada, localizada no Setor de Mansões do Lago Norte, está procurando novos inquilinos para dividir a casa. Isso porque as pessoas que moravam com ele tiveram, que se mudar, muito a contragosto (também com um visual desse...)


Então estou ajudando-o na busca de novos moradores para dividir a casa. São 4 quartos, inclusive suíte.
Se você não estiver interessado ou já tem o seu canto, envie a mensagem para outros amigos, pois o cara tá procurando por amigos, e amigo de amigo é amigo também...É o tipo de coisa que não dá para anunciar direto no Correio Braziliense... por isso preciso da ajuda dos amigos

Quem tiver interesse pode mandar um e-mail para mim em rgerhard@uol.com.br ou direto para ele no pharaujo@planalto.gov.br


quarta-feira, 23 de junho de 2010

Iguatemi repudia bicicletas



Já é consenso, em todo o planeta, a necessidade de se buscar meios alternativos de transporte para desafogar o trânsito nas grandes metrópoles e diminuir as emissões de gases de efeito estufa. Nesse contexto, as bicicletas vêm exercendo um papel de destaque, são vários os exemplos de sucesso mundo afora.

No Chile, hoje, já existem diversas ciclovias integradas que possibilitam a segura entre várias regiões. Na Europa, há cidades em que as administrações disponibilizam bicicletas em suas estações de metrô para o usuário circular nos centros urbanos e, ainda, instalam bicicletários seguros em toda sua extensão, a fim de estimular o cidadão a sair de casa pedalando. Em vários países a integração do transporte público com as bicicletas ocorre também com os ônibus coletivos, pois esses possuem, em sua área externa, suportes para o transporte de bicicletas. E muitos outros casos poderiam ser citados.

É importante, ainda, a percepção de que todas essas ações são respaldadas por campanhas que incentivam e encorajam o hábito saudável “do pedal” e que visam, sobretudo, desenvolver a consciência de respeitar aqueles que utilizam a bicicleta como meio de locomoção e estilo de vida.

Complementarmente, também já começa a se formar uma nova cultura empresarial voltada a atender os empregados que são usuários de bicicleta. São muitas as empresas que oferecem instalações capazes de suprir as necessidades dos ciclistas tais como duchas, armários e estacionamento próprio para as magrelas, além de proporcionar incentivos.

No entanto, Brasília parece caminhar na contramão do futuro. Infelizmente, são muitas as atitudes negativas e omissões que vão completamente em direção oposta à difusão do uso das bicicletas. Há algum tempo, o Governo do Distrito Federal fez um grande alarde na divulgação de um programa em que se criaria 600 quilômetros de ciclovias até 2010. Entretanto, o que foi efetivamente implementado é pífio.

Em primeiro lugar, as ciclovias não se interligam. Na verdade, o que existem são pequenos trechos isolados de ciclovias, em que o ciclista pode circular com exclusividade e que terminam em vias de trânsito de automotores, sem área destinada às bicicletas, obrigando-os a disputar espaço com carros, ônibus e motos, num trânsito violento e caótico, expondo-os ao risco de acidentes e atropelamentos.

Em segundo lugar, mas não menos importante, é a discussão em torno das controversas “ciclofaixas”. O GDF chamou de ciclovias os acostamentos pintados nas pistas dos Lagos Norte e Sul. As tais ciclofaixas não melhoraram em nada a segurança do ciclista nestes bairros, pelo contrário, geram uma falsa sensação de segurança. O ciclista é levado a acreditar que aquela área é reservada exclusivamente ao seu trânsito, entretanto é constantemente surpreendido por motoristas e motociclistas que invadem as “ciclofaixas”, com seus veículos de forma irresponsável e impune, a fim de escapar do trânsito congestionado. Ou seja, a vida do ciclista é colocada seriamente em risco, pois não há proteção física alguma e nenhuma educação dos motoristas.

E para quem achava que a situação já era suficientemente aberrante para o ciclismo no DF, e que pior não poderia ficar, o cenário ficou ainda pior no Lago Norte. A inauguração do Shopping Iguatemi levou à intensificação do fluxo de veículos na região. Para solucionar o problema, ao invés de buscar soluções de engenharia de tráfego, o GDF utilizou-se, novamente, do brilhante paleativo de pintar o asfalto. Da mesma forma que havia pintado os acostamentos designando a área como “ciclofaixa” o fez agora em sentido inverso Do início do lago Norte até a altura da QI 3, as ciclofaixas deixaram de existir para dar lugar a uma 3ª faixa de rodagem. Ou seja, o ciclista vem pela ciclofaixa até este ponto e, de repente, está transitando entre os carros. E o problema vai além. A via também não possui, neste trecho, acostamento ou recuos nas paradas de ônibus.

Agora, completando o total descaso com os ciclistas do Distrito Federal, mas absolutamente coerente com a política de “desincentivo ao ciclismo na capital”, o Shopping Iguatemi de Brasília adotou uma postura de total repúdio aos ciclistas, fazendo de tudo para que as bicicletas fiquem bem longe de suas instalações. Não bastassem as vias que impossibilitam o acesso dos ciclistas, o shopping proíbe, por meio de placas indicativas em seus acessos, a entrada de bicicletas no seu estacionamento. É isso mesmo! Você não entendeu errado. Enquanto no mundo inteiro há um esforço no sentido de se estimular o uso de bicicletas, o Shopping Iguatemi, na contramão da história, adota uma postura de discriminação e desrespeito ao ciclista, ao cidadão-ciclista.

Cabe a reflexão: a responsabilidade sócio-ambiental, hoje, se apresenta como um tema cada vez mais importante no comportamento das organizações, exigindo delas novas posturas calcadas em valores éticos, comprometidos com ações que promovam o desenvolvimento sustentável da sociedade como um todo – assim sendo, com a postura apresentada, será que um estabelecimento como o Shopping Iguatemi merece nosso apreço?

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Saiba dosar o ritmo

Quando estamos treinando temos a plena sensação de que todos os treinos devem ser extenuantes, que devemos levar nosso organismo ao limite para que possamos subir nossos patamares de rendimento.

Entretanto estudos vem demonstrando que a intercalação de treinos mais leves, e mais descansos são muito mais eficazes na busca por melhores resultados.

Essa abordagem é bem detalhada no livro "Manual de Corrida" de Jeff Galloway, leitura, aliás, que recomendo a todos que gostam de praticar a modalidade.

Posto a seguir um artigo, ainda que superficial, publicado no site da O2.

Abs e bons treinos

Retirado do site da Revista O2 -18/05/2010

Ao evitar excessos em seus treinamentos, diminuindo o ritmo e respeitando as planilhas, você poupa energia e se sai melhor nas provas


Por Maurício Belfante

É instintivo achar que treinos com ritmo forte e que façam suar mais são melhores do que os realizados com menor esforço. Entretanto, os treinamentos de baixa intensidade são muitas vezes mais proveitosos para os atletas, fazendo com que o acúmulo de energia e a melhora de performance apareçam nas provas e objetivos que estão por vir.

Nem sempre mais é melhor. Treinos com ritmo forte e que fazem o corredor dar o seu máximo, têm sim seus pontos positivos, porém, a parte fisiológica acaba recebendo um cansaço extra, além de exaustão mental e aumento da probabilidade de lesões.

Controlando o ritmo das passadas em alguns treinamentos, é possível que o atleta tenha uma grande melhora no desempenho, além de ter aquela força a mais no dia da prova. “Se o corredor conseguir não extrapolar e nem deixar o seu ritmo tão abaixo, ele vai ter uma performance muito superior durante a competição”, explica Flávio Freire, diretor técnico da Assessoria Esportiva que leva o seu nome.

Entretanto, saber dosar o ritmo envolve sabedoria. É importante não deixá-lo nem muito acima do normal, nem abaixo. “Além da sobrecarga, o atleta não pode deixar o ritmo cair drasticamente, senão não terá estimulo suficiente durante a prova e poderá ter um mau desempenho”, completa o treinador.

Pontos positivos da corrida mais lenta
Dependendo das circunstâncias, o treino de baixa intensidade pode ser muito mais interessante de ser realizado do que um treino de ritmo forte. Conforme a data do seu objetivo esteja chegando, um treino leve pode ser o ideal. Contudo, se a meta ainda estiver consideravelmente longe, é possível e “liberado” um treino com maior intensidade.

“Os treinos mais leves são ótimos para conseguir um melhor desempenho aeróbio, sendo assim, podendo-se controlar melhor a respiração, as passadas e pequenos erros que fazem toda a diferença em um dia de competição”, salienta Professor Zeca, diretor técnico da Z.Track Assessoria Esportiva.

Diferentes ritmos, diferentes dias
O ritmo do treinamento pode ser ditado também de outra maneira, apenas de acordo com o seu estado mental no dia em que irá dar suas passadas. É aconselhável realizar treinos mais leves e que “castigam” menos o corpo quando o dia está mais estressante, deixando assim a corrida mais prazerosa, além, claro, de aliviar as tensões.

Já nos dias em que as coisas estejam dando certo, e os problemas longe, é provável que o aumento de ritmo e a vontade de acelerar surjam. “Muitas vezes baixar a intensidade em dias ruins e aumentá-lo em dias bons é praticamente uma ação involuntária. O importante é não deixar de correr e correr de forma responsável”, finaliza Zeca.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Como é que vai a carcaça?

Como é que vai a carcaça?

Trabalhar é legal, buscar objetivos profissionais, alcançar aquilo que se almeja. Mas não dá pra deixar a carcaça deteriorar, porque aí não há como colher os louros das conquistas.
Muitos executivos, empresários e profissionais vivem seus dias com muita pressão, estresse e preocupação e abandonam a prática de hábitos saudáveis.

Não precisa ser um natureba nem um rato de academia para ter uma vida mais saudável e prolongar a expectativa de vida. Basta ser comedido nas refeições e praticar alguma modalidade esportiva 3 vezes por semana.

Afinal um corpo saudável propicia uma cabeça tranquila e um estado interior em paz, que são combustíveis para ter mais energia, criatividade e resultados.

Chek ups demonstram a quantidade de executivos na UTI. Retrato preocupante:

70% têm sobrepeso
62% sedentários
52% altas taxas de colesterol
27% índices altos de triglicérides
23% gordura acumulada no fígado
18% bebem demais
17% hipertensão Riscos Potenciais
40% desenvolvimento de depressão ou outros distúrbios psicológicos
20% doenças cardiovasculares 16% diabetes tipo 2

Fonte: Revista Exame, edição 872

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Atirando pelas ruas

Imagine, agora, que um indivíduo pegou uma arma, saiu pelas ruas da cidade e começou a ameaçar aqueles com quem encontrava. Apontava a arma na direção de suas cabeças, ensaiava puxar o gatilho, recuava e continuava andando em seguida, assim, impassível.

Apesar de ouvir, sempre, que sua atitude era condenável, ele argumentava ser "apenas brincadeira", que a intenção era "somente dar um susto" nas pessoas.

Entretanto, em um dia qualquer, esse sujeito desprovido de qualquer remanescência de senso crítico, ao realizar uma de suas infames brincadeiras, provoca uma tragédia. Ao ameaçar puxar o gatilho, ele leva seu indicador curvado até o fim do curso, gerando um estampido seco e um corpo estendido no chão.

Desesperado, com a mente confusa tomada pelo álcool após a ingestão de diversas cervejas, ele parte em uma corrida desesperada, abandonando a cena do crime, deixando a vítima ali estendida sem nenhum socorro.

Co m certeza esse cidadão será preso e julgado por um crime doloso pois os atos que cometeu, partem do princípio de que ele sabia que estava infringindo a lei e que expunha ao risco a vida dos outros.

Diante disso me pergunto, então, se aqueles que transformam seus automóveis em armas, desrespeitando pedestres, corredores e ciclistas que transitam nas vias públicas, “dando sustos” e tirando finos não devem ser tratados de forma similar ao causarem um acidente.

Não assumo aqui uma postura radical, de que o motorista é sempre o culpado em um acidente, que envolva um veículo e uma bicicleta ou em um atropelamento. Mas reinvindico que haja respeito dos motoristas pelos atletas e pedestres, já que estes encontram-se completamente desprovidos de qualquer proteção contra um veículo em movimento.

É inadimissível, como já ocorreu comigo diversas vezes, que um motorista jogue seu carro para cima de uma bicicleta ou de uma pessoa, to mado de fúria, improcedente, e grite que “rua é lugar de carros”. Isso tem que chegar ao fim. A rua é lugar de todos, com respeito e segurança.

Divulgo a mensagem a seguir recebida por e-mail. Repassem e ajudem a criar uma nova cultura de respeito à vida.

Caros Amigos,
O Tribunal do Júri de Brasília submeterá a julgamento no próximo dia 11/02 – quinta-feira Leonardo Luiz da Costa que, em 19 de agosto de 2006, atropelou e matou na faixa central do Eixão Sul o biólogo e ciclista Pedro Davison. O condutor, que dirigia seu veículo com total desrespeito à vida, em altíssima velocidade e em local proibido ao trânsito de veículos automotores, tinha sua habilitação vencida, consumia bebida alcoólica no momento do crime, não freou, não procurou evitar a morte, não prestou socorro e se evadiu.
É importante que nos manifestemos em defesa da vida e do respeito às leis, por um basta a essa violência e pelo fim da impunidade que permite que irresponsáveis permaneçam nas ruas destruindo vidas e dilacerando tantas famílias.
Fazemos convite para sua participação em manifestação que realizaremos no dia 11 de fevereiro em frente ao Tribunal de Justiça do DF, data do julgamento, às 7h, horário da chegada dos jurados e dos senhores juízes.
Sua presença é importante para que expressemos que é inaceitável que tais crimes permaneçam impunes. Não deixe de comparecer e mostrar que Brasília defende a paz no trânsito, a condução responsável e o fim da impunidade dos crimes cometidos nas vias do Distrito Federal.
Vamos fazer nossa pressão e mostrar que queremos justiça e a condenação do réu. Mostrar que Brasília não aceita mais que casos dessa natureza sejam equivocadamente tratados como mero acidente. Vamos manifestar nosso desejo de mudança desse paradigma e confirmar uma nova jurisprudência de condenação dos que não respeitam as leis, desconsideram a vida e assumem se tornarem criminosos no trânsito.
Seremos gratos pelo seu apoio e presença.
Beth e Persio Davison

DATA: 11/02/2010 – 07h
LOCAL: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E TERRITÓRIOS - TJDFT
Fórum Milton Sebastião Barbosa, Anexo “B”(em frente ao estacionamento)
Brasília - DF

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Mais um W assustando o mundo

Durante 8 anos um W causou medo e preocupação no mundo inteiro. Seu mandato chegou ao fim e, ainda que ele fosse ligado diretamente à política, ele é um dos principais responsáveis pela aparição de um novo W, agora na área econômica. Ele ainda é prematuro, ainda tem um formato de um V, ninguém sabe se ele terá forças para ir adiante em sua jornada. Entretanto, se seguir em frente em sua existência,causará tantos danos, ou até mais, do que seu predescessor.
Agora só resta ao mundo sentar à mesa e aguardar para saber se a sopa de letrinhas vai causar uma tremenda indigestão ou não.

Vale a lida também de uma análise feita em julho de 2009 ainda.

Recuperação em W, U, V... Veja o que especialistas esperam da Bolsa

Mau humor

4 de fevereiro de 2010 | 20h16

Celso Ming


Hoje os mercados sentiram a fraqueza de pernas que ataca os países de alta renda (veja tabela e o Confira).

Há apenas 15 dias, o presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, denunciava a fragilidade da situação fiscal “de muitos países do bloco do euro”. De lá para cá, os capitais fugiram espantados com a falta de segurança inspirada pelos títulos de dívida dos chamados Piigs (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha) e, hoje, Trichet convidou os analistas a dar melhor proporção às coisas: “A zona do euro tem situação fiscal melhor do que Estados Unidos e Japão.”

Na semana passada, os mercados haviam festejado o crescimento do PIB americano no quarto trimestre, a um ritmo animador de 5,7% ao ano. Mas mantiveram-se cegos a dois dados essenciais. O primeiro é o de que esse avanço do PIB não passa do efeito de um doping: o dos trilhões de dólares injetados nos bancos e na economia dos Estados Unidos pelo Tesouro e pelo Federal Reserve (Fed).

E o segundo, o de que crescimento econômico com aumento do desemprego não pode ser confiável, já que não sustenta o aumento da produção.

Para agravar o quadro, até mesmo a qualidade dos títulos soberanos do país mais poderoso do mundo começa a ser questionada. Hoje, uma das três mais importantes agências de classificação de risco, a Moody’s, advertiu que poderá desclassificar os Títulos e Notas do Tesouro americano, referência número 1 do mercado de ativos.

Imagine o baque que uma desclassificação dessas produziria nas reservas internacionais dos bancos centrais e no patrimônio de fundos de pensão e seguradoras.

A rigor, os mercados não vêm reagindo a nenhum dado novo. A deterioração das finanças dos países riscos é amplamente conhecida. Se houve alguma coisa nova foi ter “caído a ficha”. A corrida em direção aos refúgios em dólares parece ter sido apenas instintiva. Logo essa gente vai se perguntar se, diante do que já se sabe sobre a situação fiscal dos Estados Unidos, o dólar merece toda essa confiança.

Essas coisas descrevem um desenho lógico, como escreveu Chico Buarque. E o que se pergunta agora é se o treme-treme de hoje não reflete a tão temida curva em W da atividade econômica global, ou seja, de nova recaída para uma recuperação sabe-se lá quando.

Se esse desenho se confirmar, os bancos centrais dos países ricos terão de adiar indefinidamente o início da estratégia de saída, ou seja, o início do enxugamento do excesso de recursos que hoje zanza pelos mercados.

E o Banco Central do Brasil, que hoje acenou para mais dureza na condução da política de juros, poderá vir a ser obrigado a rever essa postura.

Confira

Falta o lado de lá – A derrubada dos mercados começou na Europa, quando as bolsas da Ásia já tinham fechado seus trabalhos. Apenas a partir da madrugada desta sexta é que se saberá como as bolsas do Oriente terão reagido ao vendaval.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Musculação e queima de gordura

O assunto é recorrente. Em todas as conversas que escuto acerca de "exercícios para queimar gordura" invariavelmente a abordagem recai sobre a prática de exercícios aeróbicos. Seja ele corrida, ciclismo, natação.

Há aqueles que pregam insistentemente na prática de exercícios aeróbicos de baixa intensidade para trabalhar na "faixa da queima de gordura". Outros o exercício aeróbico de alta intensidade para que o metabolismo fique acelerado por mais tempo ao término do exercício e continue com a queima de gordura, ainda que em repouso. E há várias outras colocações.

Certo é que A PRÁTICA DE EXERCÍCIOS É FUNDAMENTAL, TANTO PARA A QUEIMA DE GORDURA QUANTO PARA O BEM-ESTAR FÍSICO E MENTAL.

Mas, retornando ao assunto da queima de gordura, peço licença ao amigo Paulo Gentil para resgatar este artigo publicado originalmente no site www.gease.pro.br, que trata da queima de gordura por intermédio da prática de musculação

Boa leitura e boa malhação.

Título: Musculação e emagrecimento
Autor: Paulo Gentil
Email: http://www.gease.pro.br
Adicionado em: 02/04/2005

Como já dissemos em outra ocasião, o dogma de aeróbios e perda de gordura não passa de um equívoco. A utilidade destas atividades é extremamente limitada e dever ser complementada, ou mesmo substituída, por exercícios mais específicos e eficientes. Junto com as modalidades citadas ao final do artigo "A verdade sobre aeróbios e emagrecimento", a musculação pode ser tida como uma das melhores opções em todos os aspectos, desde prevenção de patologias, ganho de massa muscular, tratamento de enfermidades, e, claro, redução da gordura corporal.

Existem estudos a favor da musculação com mais de 30 anos de idade. No livro “Fundamentos do Treinamento de Força Muscular”, FLECK & KRAEMER (1999), cita estudos de 1970. Muitos trabalhos encontraram bons resultados com musculação há mais de duas décadas como os publicados em 1978 por GETTMAN et al, WILMORE & GRIMDITCH et al, WILMORE & GIRANDOLA et al. e GETTMAN et al , publicado em 1979.

Redução de gordura.

Em 1992, BROEDER e outros autores realizaram um trabalho de 12 semanas na Universidade do Texas onde usaram treinamento aeróbio de baixa intensidade ou musculação. O grupo que treinou endurance obteve perda de gordura, sem alterações na massa magra, já o treino com pesos induziu tanto um aumento na massa magra quanto redução na gordura corporal. Em 1997, o mesmo grupo acima (agora com a presença de Volpe) publicou um estudo com os mesmo resultados.

Outro estudo interessante foi feito por BRYNER et al (1999), no qual se compararam os efeitos do treinamento com pesos ao aeróbio juntamente com uma dieta de 800 kcal. O grupo das atividades aeróbias se exercitou 4 vezes por semana durante uma hora. O grupo da musculação só exercitava-se três vezes por semana em 10 exercícios chegando a quatro séries de 8-15 repetições. Os resultados: os grupos obtiveram ganhos similiares em VO2 máx e, apesar de ambos perderem peso, os exercícios aeróbios causaram perda de massa magra (cerca de 4 quilos!) o que causou redução no metabolismo de repouso de +/- 200 kcal. Ao contrário da inconveniência dos resultados obtidos com treinamento de endurance, a musculação preservou a massa magra e metabolismo de repouso.

GELIEBTER e outros autores também conduziram um experimento no qual se comparou o efeito do treinamento aeróbio com o da musculação nas alterações da composição corporal de indivíduos moderadamente obesos. Ao final de 8 semanas ambos os grupos obtiveram uma perda de peso de 9 quilos em média, porém somente o grupo que treinou com pesos conseguiu atenuar a perda de massa magra. (GELIEBTER et al, 1997)

Em 1999, Kraemer, e outros nomes notórios como Volek e o finlandês Keijo Hakkinen, fizeram um estudo de 12 semanas no qual a amostra foi dividida em três grupos: dieta, dieta + exercício aeróbios e dieta + treino de força. Ao final da pesquisa todos os grupos conseguiram reduzir o peso, sendo a menor perda para o grupo de exercícios aeróbios. Do peso perdido, o grupo que praticou a musculação perdeu 97% em gordura, contra 78% para exercícios aeróbios + dieta e 69% para a dieta somente, sendo que este último perdeu uma quantidade significativa de massa magra (KRAEMER et al, 1999).

Manutenção ou elevação do metabolismo.

Quando se realizam intervenções com o objetivo de reduzir o peso, um dos maiores problemas que se encontra é diminuição do metabolismo de repouso, ou seja, passa-se a utilizar menos energia, facilitando a recuperação da gordura perdida.

Como vimos no artigo sobre exercícios aeróbios (A verdade sobre aeróbios e emagrecimento), atividades intensas produzem maiores gastos calóricos e elevações na taxa metabólica de repouso por tempo e magnitude proporcionais a intensidade da atividade, a musculação pode ser orientada para ter característica intervaladas de alta intensidade e trazer os benefícios citados anteriormente. O mesmo serve ao treinamento com pesos conforme verificado por MELBY et al, (1993), GILLETTE et al (1994), HALTOM et al (1999), OSTERBERG & MELBY (2000). Neste último estudo, os autores verificaram utilização de gordura até 62% acima do “normal”, mesmo 14 horas após a musculação!

Apesar do que muita gente crê, o fato de se ter um bom condicionamento aeróbio em nada ajuda o seu metabolismo, pois o condicionamento aeróbio em si nada tem a ver com o gasto de energia no metabolismo de repouso. (BINGHAM et al, 1989; BROEDER et al, 1992, WILMORE et al, 1998). Pode-se correr na esteira a vida interia e até mesmo se tornar um maratonista que o metabolismo permanecerá igual, a menos que se ganhe massa muscular! Ressaltando, a maioria das evidências sugere que o metabolismo basal é relacionado à quantidade massa magra (BINGHAM et al, 1989; BROEDER et al, 1992; BURKE et al, 1993). Aqui reside uma inigualável vantagem do treino com sobrecargas, a capacidade de reduzir a gordura corporal e simultaneamente manter ou até mesmo aumentar a massa muscular, o que evita ganhos futuros de peso, melhora a estética e parâmetros funcionais, principalmente na força, coisas que os exercícios aeróbios não fazem (HUNTER et al 1998).

Além do ganho de massa magra há estudos mostrando alterações metabólicas interessantes como maior utilização de energia por unidade de massa magra, revelando que a elevação do metabolismo de repouso advindo do treinamento com pesos vai além do ganho de massa magra. Outro dado interessante é a queda do quociente respiratório, demonstrando maior utilização de gordura em repouso (HUNTER et al, 2000).

Esta hipótese tem sido muito discutida atualmente dada à baixa relevância que a massa muscular pode ter no metabolismo basal (os cálculos que fiz trazem algo em torno de 50 kcal por quilo de massa magra), porém, em casos extremos, os valores de massa muscular podem chegar a quantidades elevadas, ganhado significância.

Conclusões

Comprovadamente a musculação é um excelente meio de reduzir o percentual de gordura, mas os benefícios não se resumem a mera diminuição no tecido adiposo. O treinamento com pesos estimulará a síntese de proteínas musculares melhorando sua estética e as funções do aparelho locomotor. Além disso, os benefícios obtidos com o uso de exercícios resistidos serão mais duradouros devido à manutenção e até mesmo elevação do metabolismo de repouso, que parece ser relacionado com a massa muscular.

Enfim, tendo em vista os inúmeros benefícios proporcionados pelos exercícios com pesos é recomendável que se perca o medo da sala de musculação e descubra as maravilhas que lá o esperam. A monotonia ou a falta de tempo não serão problemas, pois o bom professor saberá organizar um treino que seja totalmente adequado a sua disponibilidade e personalidade, a questão chave está em se exercitar sob uma supervisão competente.

Nesse texto a referência principal foi a musculação, mas os mesmos benefícios podem ser obtidos com modalidades em grupo como a ginástica localizada (a verdadeira, montada por professores competentes, e hidroginástica (que pode ser bastante intensa, se elaborada com esta finalidade). Diversos estudos citados utilizaram treinamentos em circuito, que se aproximam muito da metodologia usada nas aulas em grupo (observação: não confunda isto com realizar 100 repetições de cada movimento ou passar de 4 a 5 minutos exercitando um grupamento muscular sem descanso, os questionáveis resultados estéticos destas metodologias em nada tem a ver com a proposta deste texto).

Além destas vantagens a musculação também poderia ser organizada de modo a se aproximar de um treino intervalado, modalidade extremamente eficiente na redução da quantidade de gordura corporal, como mostrado no texto A verdade sobre aerobios e emagrecimento

Referências Bibliográficas

HUNTER GR, WETZSTEIN CJ, FIELDS DA, BROWN A, BAMMAN MM. Resistance training increases total energy expenditure and free-living physical activity in older adults. J Appl Physiol. 2000 Sep;89(3):977-84.

BINGHAM SA, GOLDBERG GR, COWARD WA, PRENTICE AM, CUMMINGS JH. The effect of exercise and improved physical fitness on basal metabolic rate. Br J Nutr 1989 Mar;61(2):155-73

BROEDER CE, BURRHUS KA, SVANEVIK LS, VOLPE J, WILMORE JH. Assessing body composition before and after resistance or endurance training. Med Sci Sports Exerc 1997 May;29(5):705-12

BROEDER CE, BURRHUS KA, SVANEVIK LS, WILMORE JH The effects of either high-intensity resistance or endurance training on resting metabolic rate. Am J Clin Nutr 1992 Apr;55(4):802-10

BROEDER CE, BURRHUS KA, SVANEVIK LS, WILMORE JH. The effects of aerobic fitness on resting metabolic rate. Am J Clin Nutr 1992 Apr;55(4):795-801

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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Investimento, cadê?

INVESTIMENTO! Esse mantra vem se perpetuando nos últimos anos, entretanto, apesar da sua repetida propagação, as atitudes para transformar a pregação em ação não ocorrem. Então temos que nos conformar com as taxas de crescimento que apresentamos ano após ano e acharmos um fato extremamente positivo. Não que não seja positivo, mas extremamente já é extremo.

Segue mais um texto relativo ao assunto, e uma análise interessante sobre o que foi chamado de MAROLINHA. Será que a onda foi tão pequena assim como foi propagada? Vale a leitura.


ESPAÇO ABERTO
'Marolinha' foi vagalhão
Roberto Macedo


O Estado de São Paulo, 21/10/2010

A crise econômica mundial, que aqui chegou com vigor em setembro de 2008, continuará a atrair a atenção de curiosos e estudiosos. Nos meios acadêmicos haverá muitos artigos, dissertações, teses e debates em torno de suas causas e seus desdobramentos. A quem busca temas específicos lembro a lição objetiva recebida de um orientador de tese: "Você terá um tema quando se deparar com pergunta ainda sem resposta ou, então, entender que uma já dada não se sustenta em sua lógica."

Há muito por elucidar quanto à crise e também respostas a questionar. Entre estas, a do presidente Lula aos efeitos da crise no Brasil, apontando que foram uma "marolinha".

Lula é conhecido defensor de teses fora dos bancos acadêmicos, mas deixa aberto um flanco com seu enfoque metodológico centrado em análises históricas. Nelas, pergunta a si mesmo sobre alguma coisa e se precipita a responder que "nunca antes neste país" (NANP) aconteceu isto ou aquilo. Esse método é vulnerável, porque oferece ao questionador a oportunidade de olhar nossa História de cinco séculos, com boa probabilidade de achar exemplos em contrário.

Lula perguntou-se sobre o efeito da crise e respondeu com essa tese da "marolinha", sem uso do NANP. Discuti-la também é interessante e outra razão é que foi lançada com a crise em andamento e, assim, na ocasião, sem maiores elementos para julgamento. Ademais, ele poderia alegar que fez uma avaliação relativamente ao efeito em outros países, ainda que sem precisar quais.

Mas o tempo foi passando e já há sólidas evidências a ponderar. Argumentarei que a "marolinha" foi um vagalhão, ainda que não um tsunami. A avaliação estende-se à tese em termos relativos, pois há países que se saíram muitíssimo melhor que o Brasil. Esses países precisam ser analisados, em particular na origem e na dinâmica de suas altas taxas de investimento relativamente ao produto interno bruto (PIB). Ou seja, daquela parcela da produção que amplia a capacidade produtiva de uma nação, como por meio de novas fábricas, expansão do setor serviços e obras de infraestrutura, particularmente as realizadas pelo setor público. Isso para que o Brasil aumente também a sua taxa, cresça mais e fique menos vulnerável a vagalhões, tsunamis e marolas de todo tamanho.

Quanto a este, recentemente surgiram os primeiros números medindo-o como proporção do PIB, ensejados pelo fim de 2009, já se sabendo assim, com razoável grau de precisão, como foi o desempenho desse ano que passou.

Vieram do economista Regis Bonelli, da Fundação Getúlio Vargas-RJ. Conforme este jornal de 11 do mês passado, ele calculou o custo da "marolinha" entre R$ 150 bilhões e R$ 210 bilhões em 2009, baseando suas estimativas no raciocínio de que sem a crise nosso PIB teria crescido entre 5% e 7% no ano, e com ela as estimativas desse crescimento são próximas de zero. A matéria não fala do valor do PIB, mas sabe-se que o PIB brasileiro tem um valor perto de R$ 3 trilhões. Esse número, ao lado dessas perdas de 5% a 7% de crescimento, leva às referidas estimativas do custo da crise em 2009.

Dados do IBGE confirmam esse valor aproximado do PIB, mostrando que ele foi de R$ 3,004881 trilhões em 2008; supondo crescimento zero em 2009, ele teria crescido, então, só por conta da inflação, que fechou o ano em 4,31%, segundo o IPCA. O índice de preços por trás do PIB é outro, mas deverá também mostrar taxa pequena. Supondo a mesma variação do IPCA, o efeito da "marolinha" em 2009 subiria para entre R$ 156 bilhões e R$ 220 bilhões a preços desse ano, não fazendo assim muita diferença nessa escala.

Um adendo que leva a uma diferença maior viria da lembrança de que a crise teve efeitos já em 2008, quando o PIB cresceu 5,1%. Supondo que poderia ter crescido mais 1%, isso geraria uma perda adicional de R$ 30 bilhões em 2008 e ampliaria os números de 2009 para entre R$ 158 bilhões e R$ 221 bilhões. Somando os dois anos, a média das estimativas alcançaria um valor perto de R$ 220 bilhões.

Em qualquer caso, a perda foi imensa, pois assumiu valores como esses, significando também mais de um ano perdido de crescimento do PIB e levando a perdas que famílias sofreram na forma de desemprego e queda de renda, que no setor produtivo fizeram cair a produção e no governo, a arrecadação.

Para se ter outra ideia, números nos jornais de ontem mostraram que as estimativas citadas para 2009 equivalem aproximadamente a toda a arrecadação do INSS no mesmo ano (R$ 184,6 bilhões), ou às despesas que deficitariamente nele realizou (R$ 228,2 bilhões), em particular com seus quase 20 milhões de aposentados.

Quanto à avaliação relativa, deve-se mirar não nos muitos países que se saíram pior que o Brasil, mas nos poucos que registraram taxas positivas e elevadas, a menos que nos conformemos com o padrão que hoje já contamina o País, o de se contentar com pouca coisa. Na China, segundo o último número da revista The Economist, as estimativas de crescimento em 2009 e 2010 são de 8,2% e 8,6%, respectivamente; na Índia, de 5,5% e 6,3%, destacando-se assim a manutenção de altas taxas de crescimento no ano mais marcado pela crise. O Brasil aparece com nada em 2009 e 4,8% em 2010.

Ora, a grande diferença na dinâmica econômica desses três países são suas taxas de investimento. China e Índia mostram taxas próximas de 40% e 30%, respectivamente, enquanto que o Brasil ficou anos mais perto de sofríveis 17%. Pouco antes da crise, no terceiro trimestre de 2008, chegou a 20,1%, mas o último dado, do terceiro de 2009, revela que caiu para 17,7%.

Enquanto isso, nosso presidente, contentando-se com muito pouco, sai pelo País com a ministra Dilma a alardear "sucessos" de seu MPAC, pois seu programa merece mesmo é o nome de Muito Pouco de Aceleração do Crescimento.

Roberto Macedo, economista (UFMG, USP e Harvard), professor associado à Faap, é vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Novas bolhas?

Excesso de liquidez nos mercados mundiais.

CELSO MING - As novas bolhas

Por toda a parte espocam advertências de que a economia mundial está produzindo novas e perigosas bolhas de ativos. Desta vez, não é mais o esticão nos preços dos imóveis e os empréstimos hipotecários que despertam preocupações. O suspeito da hora é a disparada das commodities, especialmente das matérias-primas metálicas. Mas há quem meta nesse mesmo saco o mercado de ações.

O gráfico mostra o comportamento de um dos principais índices medidores dos preços das commodities, o Commodities Research Bureau (CRB), que avançou 28,4% no período de 12 meses terminado em 15 de janeiro.

Como acontece em todos os acidentes da aviação, está errado atribuir essa alta a apenas um fator isolado. É sempre um conjunto deles. Tem a ver com o bom desempenho das economias emergentes, especialmente a da China, e, também, com a recuperação dos negócios nas economias dos países ricos. Sugerem, ainda, a volta da formação de estoques que haviam caído com a crise e o estancamento do crédito. Mas o principal fator por trás do avanço dos preços das commodities é a existência de uma enorme liquidez global. Essa liquidez é o resultado da atuação de tesouros nacionais e bancos centrais durante a crise, que, conjuntamente, devem ter injetado alguma coisa próxima dos US$ 10 trilhões, com o objetivo de impedir a prostração da economia mundial numa provável depressão.

Há plena consciência de que, mais cedo ou mais tarde, tesouros e bancos centrais terão de trazer essa dinheirama de volta para casa. Se é verdade que a origem da crise de 2008 foi o excesso de moeda emitida pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), deixar que esses US$ 10 trilhões extras girem pelos mercados e inflem novas bolhas de ativos implica deixar que se forme uma crise ainda pior mais à frente. Essa é a razão pela qual os presidentes dos grandes bancos centrais aproveitam toda a ocasião que têm para avisar que, daqui a pouco, irão começar a operação de enxugamento da liquidez também conhecida por "estratégia de saída".

O problema é que ninguém consegue enxergar como isso poderá acontecer sem colocar em risco a recuperação da atividade econômica ainda frágil.

O desemprego continua aumentando nos países ricos. A União Europeia enfrenta não apenas o crescimento do déficit orçamentário da maioria dos seus membros, mas, também, o vencimento do prazo de ajuda ao desemprego. A Alemanha tem 6 milhões de trabalhadores contemplados com subsídios do emprego de jornada reduzida (kurzarbeit) cujos contratos vencem, na sua maioria, em março e abril.

É essa síndrome que leva alguns economistas (entre eles, Nouriel Roubini, que previu a crise) a advertir que a atual recuperação despencará numa forte recessão a ser revertida mais adiante. É o que, segundo eles, desenhará nos gráficos a linha em formato de W, que provocaria um montão de mortos e feridos antes que a última perna do W se pusesse novamente de pé.

Se o quadro de recaída de fato se confirmar, ficará também inviabilizado qualquer programa de enxugamento de liquidez pelos bancos centrais. E aí será preciso ver até que ponto os próprios bancos centrais conseguirão evitar a formação das tais novas bolhas de ativos.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Qual melhor horário para malhar?

Pronto para malhar? Antes, olhe o relógio

São Paulo, segunda-feira, 18 de janeiro de 2010 - Folha/NYT

É possível que alguns atletas sejam mais ou menos eficientes, dependendo do horário? A triatleta Tara Martin não consegue fazer sua frequência cardíaca subir pela manhã. O nadador Richard Friedman disse que sua frequência cardíaca sempre é mais baixa no início do dia.
Após pesquisar meus próprios padrões de exercícios -frequência cardíaca alta à noite e baixa de manhã em sessões de exercícios idênticas-, perguntei a William Haskell, pesquisador de exercício físico e professor emérito de medicina na Universidade Stanford, se eu tinha "descoberto" um fato já conhecido sobre frequências cardíacas. Mas ele não soube responder.
William Roberts, ex-diretor da Faculdade Americana de Medicina Esportiva e médico de família na Universidade de Minnesota, disse que é "uma pergunta difícil". "Não tenho uma boa explicação fisiológica do fenômeno que você descreve", acrescentou.
Um pequeno grupo de pesquisadores tem estudado a performance em exercícios físicos segundo o horário do dia, tendo chegado a fazer estudos de frequências cardíacas. E o resultado é que não apenas o desempenho é melhor no final da tarde e início da noite, como, contrariando o que os fisiologistas do exercício poderiam prever, as frequências cardíacas também são mais altas para o mesmo esforço feito nesse horário.
Estudo recente conduzido por Thomas Reilly e seus colegas na Universidade Liverpool John Moores (Reino Unido) constatou que as frequências cardíacas máximas e submáximas são mais baixas pela manhã, mas que a percepção que as pessoas têm da intensidade do exercício é a mesma pela manhã e mais tarde no dia.
Em artigo, Reilly e seu colega Jim Waterhouse também notaram que os melhores desempenhos de atletas, incluindo recordes mundiais, costumam acontecer no final da tarde ou início da noite.
Greg Atkinson, também da Universidade Liverpool, disse que alguns pesquisadores, observando que a frequência cardíaca quando se malha é mais baixa de manhã, calcularam que as pessoas devem estar mais eficientes de manhã. Isso significaria que é mais fácil exercitar-se no início do dia. Para mim, é claro, pareceu que é mais difícil, mas é possível que eu estivesse me iludindo. Na realidade, não, disse Atkinson.
É realmente mais difícil exercitar-se de manhã. "A maioria dos componentes do desempenho esportivo [força, potência, velocidade] é pior no início da manhã", ele disse por e-mail. "De modo geral, os índices de esforço percebido durante exercício revelam ser mais altos no início da manhã."
"Se você se exercita mais tarde durante o dia, seus músculos estão mais flexíveis e fortes, e seu coração e pulmões estão mais eficientes", disse Michael H. Smolensky, especialista em cronobiologia, o estudo do relógio do corpo.
"Uma frequência cardíaca de 140 de manhã é indicativa do mesmo nível de esforço em uma sessão de exercícios quanto uma sessão feita à tarde?", perguntou Smolensky, professor visitante do Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Texas em Houston. "Eu diria que não", acrescentou.
"Os fisiologistas do exercício dizem que deveríamos conseguir um desempenho de mesmo nível com frequência cardíaca de 140 pela manhã quanto conseguimos à tarde ou no início da noite. Mas os cronobiólogos dizem que nossa capacidade de gerar e tolerar uma frequência cardíaca mais alta é melhor mais tarde no dia." "À tarde e à noite, nos encontramos em um estado biológico diferente", disse Smolensky.
Ele acrescentou que isso se aplica a pessoas que fazem exercícios regularmente, malhando intensivamente três ou mais vezes por semana. Pessoas que não fazem exercícios regularmente, disse Smolensky, exigem mais de seus corações quando se exercitam pela manhã, de modo que suas frequências cardíacas são mais altas nesse horário.
Smolensky disse ainda que as pessoas que apresentam risco de ataque cardíaco deveriam planejar suas sessões de exercício para a tarde ou o início da noite. "Meu conselho é treinar no momento em que sua eficiência biológica está mais alta, o que, para a maioria das pessoas, é o final da tarde ou início da noite", disse ele. "Outros dizem que, se você malhar quando sua eficiência biológica está mais baixa, a malhação será mais intensiva."