terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Atirando pelas ruas

Imagine, agora, que um indivíduo pegou uma arma, saiu pelas ruas da cidade e começou a ameaçar aqueles com quem encontrava. Apontava a arma na direção de suas cabeças, ensaiava puxar o gatilho, recuava e continuava andando em seguida, assim, impassível.

Apesar de ouvir, sempre, que sua atitude era condenável, ele argumentava ser "apenas brincadeira", que a intenção era "somente dar um susto" nas pessoas.

Entretanto, em um dia qualquer, esse sujeito desprovido de qualquer remanescência de senso crítico, ao realizar uma de suas infames brincadeiras, provoca uma tragédia. Ao ameaçar puxar o gatilho, ele leva seu indicador curvado até o fim do curso, gerando um estampido seco e um corpo estendido no chão.

Desesperado, com a mente confusa tomada pelo álcool após a ingestão de diversas cervejas, ele parte em uma corrida desesperada, abandonando a cena do crime, deixando a vítima ali estendida sem nenhum socorro.

Co m certeza esse cidadão será preso e julgado por um crime doloso pois os atos que cometeu, partem do princípio de que ele sabia que estava infringindo a lei e que expunha ao risco a vida dos outros.

Diante disso me pergunto, então, se aqueles que transformam seus automóveis em armas, desrespeitando pedestres, corredores e ciclistas que transitam nas vias públicas, “dando sustos” e tirando finos não devem ser tratados de forma similar ao causarem um acidente.

Não assumo aqui uma postura radical, de que o motorista é sempre o culpado em um acidente, que envolva um veículo e uma bicicleta ou em um atropelamento. Mas reinvindico que haja respeito dos motoristas pelos atletas e pedestres, já que estes encontram-se completamente desprovidos de qualquer proteção contra um veículo em movimento.

É inadimissível, como já ocorreu comigo diversas vezes, que um motorista jogue seu carro para cima de uma bicicleta ou de uma pessoa, to mado de fúria, improcedente, e grite que “rua é lugar de carros”. Isso tem que chegar ao fim. A rua é lugar de todos, com respeito e segurança.

Divulgo a mensagem a seguir recebida por e-mail. Repassem e ajudem a criar uma nova cultura de respeito à vida.

Caros Amigos,
O Tribunal do Júri de Brasília submeterá a julgamento no próximo dia 11/02 – quinta-feira Leonardo Luiz da Costa que, em 19 de agosto de 2006, atropelou e matou na faixa central do Eixão Sul o biólogo e ciclista Pedro Davison. O condutor, que dirigia seu veículo com total desrespeito à vida, em altíssima velocidade e em local proibido ao trânsito de veículos automotores, tinha sua habilitação vencida, consumia bebida alcoólica no momento do crime, não freou, não procurou evitar a morte, não prestou socorro e se evadiu.
É importante que nos manifestemos em defesa da vida e do respeito às leis, por um basta a essa violência e pelo fim da impunidade que permite que irresponsáveis permaneçam nas ruas destruindo vidas e dilacerando tantas famílias.
Fazemos convite para sua participação em manifestação que realizaremos no dia 11 de fevereiro em frente ao Tribunal de Justiça do DF, data do julgamento, às 7h, horário da chegada dos jurados e dos senhores juízes.
Sua presença é importante para que expressemos que é inaceitável que tais crimes permaneçam impunes. Não deixe de comparecer e mostrar que Brasília defende a paz no trânsito, a condução responsável e o fim da impunidade dos crimes cometidos nas vias do Distrito Federal.
Vamos fazer nossa pressão e mostrar que queremos justiça e a condenação do réu. Mostrar que Brasília não aceita mais que casos dessa natureza sejam equivocadamente tratados como mero acidente. Vamos manifestar nosso desejo de mudança desse paradigma e confirmar uma nova jurisprudência de condenação dos que não respeitam as leis, desconsideram a vida e assumem se tornarem criminosos no trânsito.
Seremos gratos pelo seu apoio e presença.
Beth e Persio Davison

DATA: 11/02/2010 – 07h
LOCAL: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E TERRITÓRIOS - TJDFT
Fórum Milton Sebastião Barbosa, Anexo “B”(em frente ao estacionamento)
Brasília - DF

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Mais um W assustando o mundo

Durante 8 anos um W causou medo e preocupação no mundo inteiro. Seu mandato chegou ao fim e, ainda que ele fosse ligado diretamente à política, ele é um dos principais responsáveis pela aparição de um novo W, agora na área econômica. Ele ainda é prematuro, ainda tem um formato de um V, ninguém sabe se ele terá forças para ir adiante em sua jornada. Entretanto, se seguir em frente em sua existência,causará tantos danos, ou até mais, do que seu predescessor.
Agora só resta ao mundo sentar à mesa e aguardar para saber se a sopa de letrinhas vai causar uma tremenda indigestão ou não.

Vale a lida também de uma análise feita em julho de 2009 ainda.

Recuperação em W, U, V... Veja o que especialistas esperam da Bolsa

Mau humor

4 de fevereiro de 2010 | 20h16

Celso Ming


Hoje os mercados sentiram a fraqueza de pernas que ataca os países de alta renda (veja tabela e o Confira).

Há apenas 15 dias, o presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, denunciava a fragilidade da situação fiscal “de muitos países do bloco do euro”. De lá para cá, os capitais fugiram espantados com a falta de segurança inspirada pelos títulos de dívida dos chamados Piigs (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha) e, hoje, Trichet convidou os analistas a dar melhor proporção às coisas: “A zona do euro tem situação fiscal melhor do que Estados Unidos e Japão.”

Na semana passada, os mercados haviam festejado o crescimento do PIB americano no quarto trimestre, a um ritmo animador de 5,7% ao ano. Mas mantiveram-se cegos a dois dados essenciais. O primeiro é o de que esse avanço do PIB não passa do efeito de um doping: o dos trilhões de dólares injetados nos bancos e na economia dos Estados Unidos pelo Tesouro e pelo Federal Reserve (Fed).

E o segundo, o de que crescimento econômico com aumento do desemprego não pode ser confiável, já que não sustenta o aumento da produção.

Para agravar o quadro, até mesmo a qualidade dos títulos soberanos do país mais poderoso do mundo começa a ser questionada. Hoje, uma das três mais importantes agências de classificação de risco, a Moody’s, advertiu que poderá desclassificar os Títulos e Notas do Tesouro americano, referência número 1 do mercado de ativos.

Imagine o baque que uma desclassificação dessas produziria nas reservas internacionais dos bancos centrais e no patrimônio de fundos de pensão e seguradoras.

A rigor, os mercados não vêm reagindo a nenhum dado novo. A deterioração das finanças dos países riscos é amplamente conhecida. Se houve alguma coisa nova foi ter “caído a ficha”. A corrida em direção aos refúgios em dólares parece ter sido apenas instintiva. Logo essa gente vai se perguntar se, diante do que já se sabe sobre a situação fiscal dos Estados Unidos, o dólar merece toda essa confiança.

Essas coisas descrevem um desenho lógico, como escreveu Chico Buarque. E o que se pergunta agora é se o treme-treme de hoje não reflete a tão temida curva em W da atividade econômica global, ou seja, de nova recaída para uma recuperação sabe-se lá quando.

Se esse desenho se confirmar, os bancos centrais dos países ricos terão de adiar indefinidamente o início da estratégia de saída, ou seja, o início do enxugamento do excesso de recursos que hoje zanza pelos mercados.

E o Banco Central do Brasil, que hoje acenou para mais dureza na condução da política de juros, poderá vir a ser obrigado a rever essa postura.

Confira

Falta o lado de lá – A derrubada dos mercados começou na Europa, quando as bolsas da Ásia já tinham fechado seus trabalhos. Apenas a partir da madrugada desta sexta é que se saberá como as bolsas do Oriente terão reagido ao vendaval.