quarta-feira, 23 de junho de 2010

Iguatemi repudia bicicletas



Já é consenso, em todo o planeta, a necessidade de se buscar meios alternativos de transporte para desafogar o trânsito nas grandes metrópoles e diminuir as emissões de gases de efeito estufa. Nesse contexto, as bicicletas vêm exercendo um papel de destaque, são vários os exemplos de sucesso mundo afora.

No Chile, hoje, já existem diversas ciclovias integradas que possibilitam a segura entre várias regiões. Na Europa, há cidades em que as administrações disponibilizam bicicletas em suas estações de metrô para o usuário circular nos centros urbanos e, ainda, instalam bicicletários seguros em toda sua extensão, a fim de estimular o cidadão a sair de casa pedalando. Em vários países a integração do transporte público com as bicicletas ocorre também com os ônibus coletivos, pois esses possuem, em sua área externa, suportes para o transporte de bicicletas. E muitos outros casos poderiam ser citados.

É importante, ainda, a percepção de que todas essas ações são respaldadas por campanhas que incentivam e encorajam o hábito saudável “do pedal” e que visam, sobretudo, desenvolver a consciência de respeitar aqueles que utilizam a bicicleta como meio de locomoção e estilo de vida.

Complementarmente, também já começa a se formar uma nova cultura empresarial voltada a atender os empregados que são usuários de bicicleta. São muitas as empresas que oferecem instalações capazes de suprir as necessidades dos ciclistas tais como duchas, armários e estacionamento próprio para as magrelas, além de proporcionar incentivos.

No entanto, Brasília parece caminhar na contramão do futuro. Infelizmente, são muitas as atitudes negativas e omissões que vão completamente em direção oposta à difusão do uso das bicicletas. Há algum tempo, o Governo do Distrito Federal fez um grande alarde na divulgação de um programa em que se criaria 600 quilômetros de ciclovias até 2010. Entretanto, o que foi efetivamente implementado é pífio.

Em primeiro lugar, as ciclovias não se interligam. Na verdade, o que existem são pequenos trechos isolados de ciclovias, em que o ciclista pode circular com exclusividade e que terminam em vias de trânsito de automotores, sem área destinada às bicicletas, obrigando-os a disputar espaço com carros, ônibus e motos, num trânsito violento e caótico, expondo-os ao risco de acidentes e atropelamentos.

Em segundo lugar, mas não menos importante, é a discussão em torno das controversas “ciclofaixas”. O GDF chamou de ciclovias os acostamentos pintados nas pistas dos Lagos Norte e Sul. As tais ciclofaixas não melhoraram em nada a segurança do ciclista nestes bairros, pelo contrário, geram uma falsa sensação de segurança. O ciclista é levado a acreditar que aquela área é reservada exclusivamente ao seu trânsito, entretanto é constantemente surpreendido por motoristas e motociclistas que invadem as “ciclofaixas”, com seus veículos de forma irresponsável e impune, a fim de escapar do trânsito congestionado. Ou seja, a vida do ciclista é colocada seriamente em risco, pois não há proteção física alguma e nenhuma educação dos motoristas.

E para quem achava que a situação já era suficientemente aberrante para o ciclismo no DF, e que pior não poderia ficar, o cenário ficou ainda pior no Lago Norte. A inauguração do Shopping Iguatemi levou à intensificação do fluxo de veículos na região. Para solucionar o problema, ao invés de buscar soluções de engenharia de tráfego, o GDF utilizou-se, novamente, do brilhante paleativo de pintar o asfalto. Da mesma forma que havia pintado os acostamentos designando a área como “ciclofaixa” o fez agora em sentido inverso Do início do lago Norte até a altura da QI 3, as ciclofaixas deixaram de existir para dar lugar a uma 3ª faixa de rodagem. Ou seja, o ciclista vem pela ciclofaixa até este ponto e, de repente, está transitando entre os carros. E o problema vai além. A via também não possui, neste trecho, acostamento ou recuos nas paradas de ônibus.

Agora, completando o total descaso com os ciclistas do Distrito Federal, mas absolutamente coerente com a política de “desincentivo ao ciclismo na capital”, o Shopping Iguatemi de Brasília adotou uma postura de total repúdio aos ciclistas, fazendo de tudo para que as bicicletas fiquem bem longe de suas instalações. Não bastassem as vias que impossibilitam o acesso dos ciclistas, o shopping proíbe, por meio de placas indicativas em seus acessos, a entrada de bicicletas no seu estacionamento. É isso mesmo! Você não entendeu errado. Enquanto no mundo inteiro há um esforço no sentido de se estimular o uso de bicicletas, o Shopping Iguatemi, na contramão da história, adota uma postura de discriminação e desrespeito ao ciclista, ao cidadão-ciclista.

Cabe a reflexão: a responsabilidade sócio-ambiental, hoje, se apresenta como um tema cada vez mais importante no comportamento das organizações, exigindo delas novas posturas calcadas em valores éticos, comprometidos com ações que promovam o desenvolvimento sustentável da sociedade como um todo – assim sendo, com a postura apresentada, será que um estabelecimento como o Shopping Iguatemi merece nosso apreço?

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Saiba dosar o ritmo

Quando estamos treinando temos a plena sensação de que todos os treinos devem ser extenuantes, que devemos levar nosso organismo ao limite para que possamos subir nossos patamares de rendimento.

Entretanto estudos vem demonstrando que a intercalação de treinos mais leves, e mais descansos são muito mais eficazes na busca por melhores resultados.

Essa abordagem é bem detalhada no livro "Manual de Corrida" de Jeff Galloway, leitura, aliás, que recomendo a todos que gostam de praticar a modalidade.

Posto a seguir um artigo, ainda que superficial, publicado no site da O2.

Abs e bons treinos

Retirado do site da Revista O2 -18/05/2010

Ao evitar excessos em seus treinamentos, diminuindo o ritmo e respeitando as planilhas, você poupa energia e se sai melhor nas provas


Por Maurício Belfante

É instintivo achar que treinos com ritmo forte e que façam suar mais são melhores do que os realizados com menor esforço. Entretanto, os treinamentos de baixa intensidade são muitas vezes mais proveitosos para os atletas, fazendo com que o acúmulo de energia e a melhora de performance apareçam nas provas e objetivos que estão por vir.

Nem sempre mais é melhor. Treinos com ritmo forte e que fazem o corredor dar o seu máximo, têm sim seus pontos positivos, porém, a parte fisiológica acaba recebendo um cansaço extra, além de exaustão mental e aumento da probabilidade de lesões.

Controlando o ritmo das passadas em alguns treinamentos, é possível que o atleta tenha uma grande melhora no desempenho, além de ter aquela força a mais no dia da prova. “Se o corredor conseguir não extrapolar e nem deixar o seu ritmo tão abaixo, ele vai ter uma performance muito superior durante a competição”, explica Flávio Freire, diretor técnico da Assessoria Esportiva que leva o seu nome.

Entretanto, saber dosar o ritmo envolve sabedoria. É importante não deixá-lo nem muito acima do normal, nem abaixo. “Além da sobrecarga, o atleta não pode deixar o ritmo cair drasticamente, senão não terá estimulo suficiente durante a prova e poderá ter um mau desempenho”, completa o treinador.

Pontos positivos da corrida mais lenta
Dependendo das circunstâncias, o treino de baixa intensidade pode ser muito mais interessante de ser realizado do que um treino de ritmo forte. Conforme a data do seu objetivo esteja chegando, um treino leve pode ser o ideal. Contudo, se a meta ainda estiver consideravelmente longe, é possível e “liberado” um treino com maior intensidade.

“Os treinos mais leves são ótimos para conseguir um melhor desempenho aeróbio, sendo assim, podendo-se controlar melhor a respiração, as passadas e pequenos erros que fazem toda a diferença em um dia de competição”, salienta Professor Zeca, diretor técnico da Z.Track Assessoria Esportiva.

Diferentes ritmos, diferentes dias
O ritmo do treinamento pode ser ditado também de outra maneira, apenas de acordo com o seu estado mental no dia em que irá dar suas passadas. É aconselhável realizar treinos mais leves e que “castigam” menos o corpo quando o dia está mais estressante, deixando assim a corrida mais prazerosa, além, claro, de aliviar as tensões.

Já nos dias em que as coisas estejam dando certo, e os problemas longe, é provável que o aumento de ritmo e a vontade de acelerar surjam. “Muitas vezes baixar a intensidade em dias ruins e aumentá-lo em dias bons é praticamente uma ação involuntária. O importante é não deixar de correr e correr de forma responsável”, finaliza Zeca.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Como é que vai a carcaça?

Como é que vai a carcaça?

Trabalhar é legal, buscar objetivos profissionais, alcançar aquilo que se almeja. Mas não dá pra deixar a carcaça deteriorar, porque aí não há como colher os louros das conquistas.
Muitos executivos, empresários e profissionais vivem seus dias com muita pressão, estresse e preocupação e abandonam a prática de hábitos saudáveis.

Não precisa ser um natureba nem um rato de academia para ter uma vida mais saudável e prolongar a expectativa de vida. Basta ser comedido nas refeições e praticar alguma modalidade esportiva 3 vezes por semana.

Afinal um corpo saudável propicia uma cabeça tranquila e um estado interior em paz, que são combustíveis para ter mais energia, criatividade e resultados.

Chek ups demonstram a quantidade de executivos na UTI. Retrato preocupante:

70% têm sobrepeso
62% sedentários
52% altas taxas de colesterol
27% índices altos de triglicérides
23% gordura acumulada no fígado
18% bebem demais
17% hipertensão Riscos Potenciais
40% desenvolvimento de depressão ou outros distúrbios psicológicos
20% doenças cardiovasculares 16% diabetes tipo 2

Fonte: Revista Exame, edição 872

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Atirando pelas ruas

Imagine, agora, que um indivíduo pegou uma arma, saiu pelas ruas da cidade e começou a ameaçar aqueles com quem encontrava. Apontava a arma na direção de suas cabeças, ensaiava puxar o gatilho, recuava e continuava andando em seguida, assim, impassível.

Apesar de ouvir, sempre, que sua atitude era condenável, ele argumentava ser "apenas brincadeira", que a intenção era "somente dar um susto" nas pessoas.

Entretanto, em um dia qualquer, esse sujeito desprovido de qualquer remanescência de senso crítico, ao realizar uma de suas infames brincadeiras, provoca uma tragédia. Ao ameaçar puxar o gatilho, ele leva seu indicador curvado até o fim do curso, gerando um estampido seco e um corpo estendido no chão.

Desesperado, com a mente confusa tomada pelo álcool após a ingestão de diversas cervejas, ele parte em uma corrida desesperada, abandonando a cena do crime, deixando a vítima ali estendida sem nenhum socorro.

Co m certeza esse cidadão será preso e julgado por um crime doloso pois os atos que cometeu, partem do princípio de que ele sabia que estava infringindo a lei e que expunha ao risco a vida dos outros.

Diante disso me pergunto, então, se aqueles que transformam seus automóveis em armas, desrespeitando pedestres, corredores e ciclistas que transitam nas vias públicas, “dando sustos” e tirando finos não devem ser tratados de forma similar ao causarem um acidente.

Não assumo aqui uma postura radical, de que o motorista é sempre o culpado em um acidente, que envolva um veículo e uma bicicleta ou em um atropelamento. Mas reinvindico que haja respeito dos motoristas pelos atletas e pedestres, já que estes encontram-se completamente desprovidos de qualquer proteção contra um veículo em movimento.

É inadimissível, como já ocorreu comigo diversas vezes, que um motorista jogue seu carro para cima de uma bicicleta ou de uma pessoa, to mado de fúria, improcedente, e grite que “rua é lugar de carros”. Isso tem que chegar ao fim. A rua é lugar de todos, com respeito e segurança.

Divulgo a mensagem a seguir recebida por e-mail. Repassem e ajudem a criar uma nova cultura de respeito à vida.

Caros Amigos,
O Tribunal do Júri de Brasília submeterá a julgamento no próximo dia 11/02 – quinta-feira Leonardo Luiz da Costa que, em 19 de agosto de 2006, atropelou e matou na faixa central do Eixão Sul o biólogo e ciclista Pedro Davison. O condutor, que dirigia seu veículo com total desrespeito à vida, em altíssima velocidade e em local proibido ao trânsito de veículos automotores, tinha sua habilitação vencida, consumia bebida alcoólica no momento do crime, não freou, não procurou evitar a morte, não prestou socorro e se evadiu.
É importante que nos manifestemos em defesa da vida e do respeito às leis, por um basta a essa violência e pelo fim da impunidade que permite que irresponsáveis permaneçam nas ruas destruindo vidas e dilacerando tantas famílias.
Fazemos convite para sua participação em manifestação que realizaremos no dia 11 de fevereiro em frente ao Tribunal de Justiça do DF, data do julgamento, às 7h, horário da chegada dos jurados e dos senhores juízes.
Sua presença é importante para que expressemos que é inaceitável que tais crimes permaneçam impunes. Não deixe de comparecer e mostrar que Brasília defende a paz no trânsito, a condução responsável e o fim da impunidade dos crimes cometidos nas vias do Distrito Federal.
Vamos fazer nossa pressão e mostrar que queremos justiça e a condenação do réu. Mostrar que Brasília não aceita mais que casos dessa natureza sejam equivocadamente tratados como mero acidente. Vamos manifestar nosso desejo de mudança desse paradigma e confirmar uma nova jurisprudência de condenação dos que não respeitam as leis, desconsideram a vida e assumem se tornarem criminosos no trânsito.
Seremos gratos pelo seu apoio e presença.
Beth e Persio Davison

DATA: 11/02/2010 – 07h
LOCAL: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E TERRITÓRIOS - TJDFT
Fórum Milton Sebastião Barbosa, Anexo “B”(em frente ao estacionamento)
Brasília - DF

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Mais um W assustando o mundo

Durante 8 anos um W causou medo e preocupação no mundo inteiro. Seu mandato chegou ao fim e, ainda que ele fosse ligado diretamente à política, ele é um dos principais responsáveis pela aparição de um novo W, agora na área econômica. Ele ainda é prematuro, ainda tem um formato de um V, ninguém sabe se ele terá forças para ir adiante em sua jornada. Entretanto, se seguir em frente em sua existência,causará tantos danos, ou até mais, do que seu predescessor.
Agora só resta ao mundo sentar à mesa e aguardar para saber se a sopa de letrinhas vai causar uma tremenda indigestão ou não.

Vale a lida também de uma análise feita em julho de 2009 ainda.

Recuperação em W, U, V... Veja o que especialistas esperam da Bolsa

Mau humor

4 de fevereiro de 2010 | 20h16

Celso Ming


Hoje os mercados sentiram a fraqueza de pernas que ataca os países de alta renda (veja tabela e o Confira).

Há apenas 15 dias, o presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, denunciava a fragilidade da situação fiscal “de muitos países do bloco do euro”. De lá para cá, os capitais fugiram espantados com a falta de segurança inspirada pelos títulos de dívida dos chamados Piigs (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha) e, hoje, Trichet convidou os analistas a dar melhor proporção às coisas: “A zona do euro tem situação fiscal melhor do que Estados Unidos e Japão.”

Na semana passada, os mercados haviam festejado o crescimento do PIB americano no quarto trimestre, a um ritmo animador de 5,7% ao ano. Mas mantiveram-se cegos a dois dados essenciais. O primeiro é o de que esse avanço do PIB não passa do efeito de um doping: o dos trilhões de dólares injetados nos bancos e na economia dos Estados Unidos pelo Tesouro e pelo Federal Reserve (Fed).

E o segundo, o de que crescimento econômico com aumento do desemprego não pode ser confiável, já que não sustenta o aumento da produção.

Para agravar o quadro, até mesmo a qualidade dos títulos soberanos do país mais poderoso do mundo começa a ser questionada. Hoje, uma das três mais importantes agências de classificação de risco, a Moody’s, advertiu que poderá desclassificar os Títulos e Notas do Tesouro americano, referência número 1 do mercado de ativos.

Imagine o baque que uma desclassificação dessas produziria nas reservas internacionais dos bancos centrais e no patrimônio de fundos de pensão e seguradoras.

A rigor, os mercados não vêm reagindo a nenhum dado novo. A deterioração das finanças dos países riscos é amplamente conhecida. Se houve alguma coisa nova foi ter “caído a ficha”. A corrida em direção aos refúgios em dólares parece ter sido apenas instintiva. Logo essa gente vai se perguntar se, diante do que já se sabe sobre a situação fiscal dos Estados Unidos, o dólar merece toda essa confiança.

Essas coisas descrevem um desenho lógico, como escreveu Chico Buarque. E o que se pergunta agora é se o treme-treme de hoje não reflete a tão temida curva em W da atividade econômica global, ou seja, de nova recaída para uma recuperação sabe-se lá quando.

Se esse desenho se confirmar, os bancos centrais dos países ricos terão de adiar indefinidamente o início da estratégia de saída, ou seja, o início do enxugamento do excesso de recursos que hoje zanza pelos mercados.

E o Banco Central do Brasil, que hoje acenou para mais dureza na condução da política de juros, poderá vir a ser obrigado a rever essa postura.

Confira

Falta o lado de lá – A derrubada dos mercados começou na Europa, quando as bolsas da Ásia já tinham fechado seus trabalhos. Apenas a partir da madrugada desta sexta é que se saberá como as bolsas do Oriente terão reagido ao vendaval.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Musculação e queima de gordura

O assunto é recorrente. Em todas as conversas que escuto acerca de "exercícios para queimar gordura" invariavelmente a abordagem recai sobre a prática de exercícios aeróbicos. Seja ele corrida, ciclismo, natação.

Há aqueles que pregam insistentemente na prática de exercícios aeróbicos de baixa intensidade para trabalhar na "faixa da queima de gordura". Outros o exercício aeróbico de alta intensidade para que o metabolismo fique acelerado por mais tempo ao término do exercício e continue com a queima de gordura, ainda que em repouso. E há várias outras colocações.

Certo é que A PRÁTICA DE EXERCÍCIOS É FUNDAMENTAL, TANTO PARA A QUEIMA DE GORDURA QUANTO PARA O BEM-ESTAR FÍSICO E MENTAL.

Mas, retornando ao assunto da queima de gordura, peço licença ao amigo Paulo Gentil para resgatar este artigo publicado originalmente no site www.gease.pro.br, que trata da queima de gordura por intermédio da prática de musculação

Boa leitura e boa malhação.

Título: Musculação e emagrecimento
Autor: Paulo Gentil
Email: http://www.gease.pro.br
Adicionado em: 02/04/2005

Como já dissemos em outra ocasião, o dogma de aeróbios e perda de gordura não passa de um equívoco. A utilidade destas atividades é extremamente limitada e dever ser complementada, ou mesmo substituída, por exercícios mais específicos e eficientes. Junto com as modalidades citadas ao final do artigo "A verdade sobre aeróbios e emagrecimento", a musculação pode ser tida como uma das melhores opções em todos os aspectos, desde prevenção de patologias, ganho de massa muscular, tratamento de enfermidades, e, claro, redução da gordura corporal.

Existem estudos a favor da musculação com mais de 30 anos de idade. No livro “Fundamentos do Treinamento de Força Muscular”, FLECK & KRAEMER (1999), cita estudos de 1970. Muitos trabalhos encontraram bons resultados com musculação há mais de duas décadas como os publicados em 1978 por GETTMAN et al, WILMORE & GRIMDITCH et al, WILMORE & GIRANDOLA et al. e GETTMAN et al , publicado em 1979.

Redução de gordura.

Em 1992, BROEDER e outros autores realizaram um trabalho de 12 semanas na Universidade do Texas onde usaram treinamento aeróbio de baixa intensidade ou musculação. O grupo que treinou endurance obteve perda de gordura, sem alterações na massa magra, já o treino com pesos induziu tanto um aumento na massa magra quanto redução na gordura corporal. Em 1997, o mesmo grupo acima (agora com a presença de Volpe) publicou um estudo com os mesmo resultados.

Outro estudo interessante foi feito por BRYNER et al (1999), no qual se compararam os efeitos do treinamento com pesos ao aeróbio juntamente com uma dieta de 800 kcal. O grupo das atividades aeróbias se exercitou 4 vezes por semana durante uma hora. O grupo da musculação só exercitava-se três vezes por semana em 10 exercícios chegando a quatro séries de 8-15 repetições. Os resultados: os grupos obtiveram ganhos similiares em VO2 máx e, apesar de ambos perderem peso, os exercícios aeróbios causaram perda de massa magra (cerca de 4 quilos!) o que causou redução no metabolismo de repouso de +/- 200 kcal. Ao contrário da inconveniência dos resultados obtidos com treinamento de endurance, a musculação preservou a massa magra e metabolismo de repouso.

GELIEBTER e outros autores também conduziram um experimento no qual se comparou o efeito do treinamento aeróbio com o da musculação nas alterações da composição corporal de indivíduos moderadamente obesos. Ao final de 8 semanas ambos os grupos obtiveram uma perda de peso de 9 quilos em média, porém somente o grupo que treinou com pesos conseguiu atenuar a perda de massa magra. (GELIEBTER et al, 1997)

Em 1999, Kraemer, e outros nomes notórios como Volek e o finlandês Keijo Hakkinen, fizeram um estudo de 12 semanas no qual a amostra foi dividida em três grupos: dieta, dieta + exercício aeróbios e dieta + treino de força. Ao final da pesquisa todos os grupos conseguiram reduzir o peso, sendo a menor perda para o grupo de exercícios aeróbios. Do peso perdido, o grupo que praticou a musculação perdeu 97% em gordura, contra 78% para exercícios aeróbios + dieta e 69% para a dieta somente, sendo que este último perdeu uma quantidade significativa de massa magra (KRAEMER et al, 1999).

Manutenção ou elevação do metabolismo.

Quando se realizam intervenções com o objetivo de reduzir o peso, um dos maiores problemas que se encontra é diminuição do metabolismo de repouso, ou seja, passa-se a utilizar menos energia, facilitando a recuperação da gordura perdida.

Como vimos no artigo sobre exercícios aeróbios (A verdade sobre aeróbios e emagrecimento), atividades intensas produzem maiores gastos calóricos e elevações na taxa metabólica de repouso por tempo e magnitude proporcionais a intensidade da atividade, a musculação pode ser orientada para ter característica intervaladas de alta intensidade e trazer os benefícios citados anteriormente. O mesmo serve ao treinamento com pesos conforme verificado por MELBY et al, (1993), GILLETTE et al (1994), HALTOM et al (1999), OSTERBERG & MELBY (2000). Neste último estudo, os autores verificaram utilização de gordura até 62% acima do “normal”, mesmo 14 horas após a musculação!

Apesar do que muita gente crê, o fato de se ter um bom condicionamento aeróbio em nada ajuda o seu metabolismo, pois o condicionamento aeróbio em si nada tem a ver com o gasto de energia no metabolismo de repouso. (BINGHAM et al, 1989; BROEDER et al, 1992, WILMORE et al, 1998). Pode-se correr na esteira a vida interia e até mesmo se tornar um maratonista que o metabolismo permanecerá igual, a menos que se ganhe massa muscular! Ressaltando, a maioria das evidências sugere que o metabolismo basal é relacionado à quantidade massa magra (BINGHAM et al, 1989; BROEDER et al, 1992; BURKE et al, 1993). Aqui reside uma inigualável vantagem do treino com sobrecargas, a capacidade de reduzir a gordura corporal e simultaneamente manter ou até mesmo aumentar a massa muscular, o que evita ganhos futuros de peso, melhora a estética e parâmetros funcionais, principalmente na força, coisas que os exercícios aeróbios não fazem (HUNTER et al 1998).

Além do ganho de massa magra há estudos mostrando alterações metabólicas interessantes como maior utilização de energia por unidade de massa magra, revelando que a elevação do metabolismo de repouso advindo do treinamento com pesos vai além do ganho de massa magra. Outro dado interessante é a queda do quociente respiratório, demonstrando maior utilização de gordura em repouso (HUNTER et al, 2000).

Esta hipótese tem sido muito discutida atualmente dada à baixa relevância que a massa muscular pode ter no metabolismo basal (os cálculos que fiz trazem algo em torno de 50 kcal por quilo de massa magra), porém, em casos extremos, os valores de massa muscular podem chegar a quantidades elevadas, ganhado significância.

Conclusões

Comprovadamente a musculação é um excelente meio de reduzir o percentual de gordura, mas os benefícios não se resumem a mera diminuição no tecido adiposo. O treinamento com pesos estimulará a síntese de proteínas musculares melhorando sua estética e as funções do aparelho locomotor. Além disso, os benefícios obtidos com o uso de exercícios resistidos serão mais duradouros devido à manutenção e até mesmo elevação do metabolismo de repouso, que parece ser relacionado com a massa muscular.

Enfim, tendo em vista os inúmeros benefícios proporcionados pelos exercícios com pesos é recomendável que se perca o medo da sala de musculação e descubra as maravilhas que lá o esperam. A monotonia ou a falta de tempo não serão problemas, pois o bom professor saberá organizar um treino que seja totalmente adequado a sua disponibilidade e personalidade, a questão chave está em se exercitar sob uma supervisão competente.

Nesse texto a referência principal foi a musculação, mas os mesmos benefícios podem ser obtidos com modalidades em grupo como a ginástica localizada (a verdadeira, montada por professores competentes, e hidroginástica (que pode ser bastante intensa, se elaborada com esta finalidade). Diversos estudos citados utilizaram treinamentos em circuito, que se aproximam muito da metodologia usada nas aulas em grupo (observação: não confunda isto com realizar 100 repetições de cada movimento ou passar de 4 a 5 minutos exercitando um grupamento muscular sem descanso, os questionáveis resultados estéticos destas metodologias em nada tem a ver com a proposta deste texto).

Além destas vantagens a musculação também poderia ser organizada de modo a se aproximar de um treino intervalado, modalidade extremamente eficiente na redução da quantidade de gordura corporal, como mostrado no texto A verdade sobre aerobios e emagrecimento

Referências Bibliográficas

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BINGHAM SA, GOLDBERG GR, COWARD WA, PRENTICE AM, CUMMINGS JH. The effect of exercise and improved physical fitness on basal metabolic rate. Br J Nutr 1989 Mar;61(2):155-73

BROEDER CE, BURRHUS KA, SVANEVIK LS, VOLPE J, WILMORE JH. Assessing body composition before and after resistance or endurance training. Med Sci Sports Exerc 1997 May;29(5):705-12

BROEDER CE, BURRHUS KA, SVANEVIK LS, WILMORE JH The effects of either high-intensity resistance or endurance training on resting metabolic rate. Am J Clin Nutr 1992 Apr;55(4):802-10

BROEDER CE, BURRHUS KA, SVANEVIK LS, WILMORE JH. The effects of aerobic fitness on resting metabolic rate. Am J Clin Nutr 1992 Apr;55(4):795-801

BRYNER RW, ULLRICH IH, SAUERS J, DONLEY D, HORNSBY G, KOLAR M, YEATER R Effects of resistance vs. aerobic training combined with an 800 calorie liquid diet on lean body mass and resting metabolic rate. J Am Coll Nutr 1999 Apr;18(2):115-21.

BURKE CM, BULLOUGH RC, MELBY CL Resting metabolic rate and postprandial thermogenesis by level of aerobic fitness in young women. Eur J Clin Nutr 1993 Aug;47(8):575-85 Erratum in: Eur J Clin Nutr 1993 Dec;47(12):895

CAMPBELL WW, CRIM MC, YOUNG VR, EVANS WJ. Increased energy requirements and changes in body composition with resistance training in older adults. Am J Clin Nutr 1994 Aug;60(2):167-75

CRIST DM, PEAKE GT, EGAN PA, WATERS DL. Body composition response to exogenous GH during training in highly conditioned adults. J Appl Physiol 1988 Aug;65(2):579-84

ELLIOT DL, GOLDBERG L, KUEHL KS Does aerobic conditioning cause a sustained increase in the metabolic rate? Am J Med Sci 1988 Oct;296(4):249-51

GELIEBTER A, MAHER MM, GERACE L, GUTIN B, HEYMSFIELD SB, HASHIM SA. Effects of strength or aerobic training on body composition, resting metabolic rate, and peak oxygen consumption in obese dieting subjects. Am J Clin Nutr 1997 Sep;66(3):557-63

GETTMAN LR, AYRES JJ, POLLOCK ML, DURSTINE JL, GRANTHAM W. Physiologic effects on adult men of circuit strength training and jogging. Arch Phys Med Rehabil 1979 Mar;60(3):115-20

GETTMAN LR, AYRES JJ, POLLOCK ML, JACKSON A. The effect of circuit weight training on strength, cardiorespiratory function, and body composition of adult men. Med Sci Sports 1978 Fall;10(3):171-6

GILLETTE CA, BULLOUGH RC, MELBY CL Postexercise energy expenditure in response to acute aerobic or resistive exercise. Int J Sport Nutr 1994 Dec;4(4):347-60

HALTOM RW, KRAEMER RR, SLOAN RA, HEBERT EP, FRANK K, TRYNIECKI JL Circuit weight training and its effects on excess postexercise oxygen consumption. Med Sci Sports Exerc 1999 Nov;31(11):1613-8

HUNTER GR, WEINSIER RL, BAMMAN MM, LARSON DE A role for high intensity exercise on energy balance and weight control. Int J Obes Relat Metab Disord 1998 Jun;22(6):489-93

KRAEMER WJ, VOLEK JS, CLARK KL, GORDON SE, PUHL SM, KOZIRIS LP, MCBRIDE JM, TRIPLETT-MCBRIDE NT, PUTUKIAN M, NEWTON RU, HAKKINEN K, BUSH JA, SEBASTIANELLI WJ. Influence of exercise training on physiological and performance changes with weight loss in men. :Med Sci Sports Exerc 1999 Sep;31(9):1320-9

MELBY, C., C. SCHOLL, G. EDWARDS, AND R. BULLOUGH. Effect of acute resistance exercise on postexercise energy expenditure and resting metabolic rate J. Appl. Physiol. 75:1847-1853, 1993

OSTERBERG, K.L., & MELBY, C.L. (2000). Effect of acute resistance exercise on postexercise oxygen consumption and resting metabolic rate in young women. International Journal of Sport Nutrition and Exercise Metabolism, 10, 71-81

WILMORE JH, PARR RB, GIRANDOLA RN, WARD P, VODAK PA, BARSTOW TJ, PIPES TV, ROMERO GT, LESLIE P. Physiological alterations consequent to circuit weight training. Med Sci Sports 1978 Summer;10(2):79-84

WILMORE JH, PARR RB, WARD P, VODAK PA, BARSTOW TJ, PIPES TV, GRIMDITCH G, LESLIE P. Energy cost of circuit weight training. Med Sci Sports 1978 Summer;10(2):75-8

WILMORE JH, STANFORTH PR, HUDSPETH LA, GAGNON J, DAW EW, LEON AS, RAO DC, SKINNER JS, BOUCHARD C Alterations in resting metabolic rate as a consequence of 20 wk of endurance training: the HERITAGE Family Study. Am J Clin Nutr 1998 Jul;68(1):66-71

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Investimento, cadê?

INVESTIMENTO! Esse mantra vem se perpetuando nos últimos anos, entretanto, apesar da sua repetida propagação, as atitudes para transformar a pregação em ação não ocorrem. Então temos que nos conformar com as taxas de crescimento que apresentamos ano após ano e acharmos um fato extremamente positivo. Não que não seja positivo, mas extremamente já é extremo.

Segue mais um texto relativo ao assunto, e uma análise interessante sobre o que foi chamado de MAROLINHA. Será que a onda foi tão pequena assim como foi propagada? Vale a leitura.


ESPAÇO ABERTO
'Marolinha' foi vagalhão
Roberto Macedo


O Estado de São Paulo, 21/10/2010

A crise econômica mundial, que aqui chegou com vigor em setembro de 2008, continuará a atrair a atenção de curiosos e estudiosos. Nos meios acadêmicos haverá muitos artigos, dissertações, teses e debates em torno de suas causas e seus desdobramentos. A quem busca temas específicos lembro a lição objetiva recebida de um orientador de tese: "Você terá um tema quando se deparar com pergunta ainda sem resposta ou, então, entender que uma já dada não se sustenta em sua lógica."

Há muito por elucidar quanto à crise e também respostas a questionar. Entre estas, a do presidente Lula aos efeitos da crise no Brasil, apontando que foram uma "marolinha".

Lula é conhecido defensor de teses fora dos bancos acadêmicos, mas deixa aberto um flanco com seu enfoque metodológico centrado em análises históricas. Nelas, pergunta a si mesmo sobre alguma coisa e se precipita a responder que "nunca antes neste país" (NANP) aconteceu isto ou aquilo. Esse método é vulnerável, porque oferece ao questionador a oportunidade de olhar nossa História de cinco séculos, com boa probabilidade de achar exemplos em contrário.

Lula perguntou-se sobre o efeito da crise e respondeu com essa tese da "marolinha", sem uso do NANP. Discuti-la também é interessante e outra razão é que foi lançada com a crise em andamento e, assim, na ocasião, sem maiores elementos para julgamento. Ademais, ele poderia alegar que fez uma avaliação relativamente ao efeito em outros países, ainda que sem precisar quais.

Mas o tempo foi passando e já há sólidas evidências a ponderar. Argumentarei que a "marolinha" foi um vagalhão, ainda que não um tsunami. A avaliação estende-se à tese em termos relativos, pois há países que se saíram muitíssimo melhor que o Brasil. Esses países precisam ser analisados, em particular na origem e na dinâmica de suas altas taxas de investimento relativamente ao produto interno bruto (PIB). Ou seja, daquela parcela da produção que amplia a capacidade produtiva de uma nação, como por meio de novas fábricas, expansão do setor serviços e obras de infraestrutura, particularmente as realizadas pelo setor público. Isso para que o Brasil aumente também a sua taxa, cresça mais e fique menos vulnerável a vagalhões, tsunamis e marolas de todo tamanho.

Quanto a este, recentemente surgiram os primeiros números medindo-o como proporção do PIB, ensejados pelo fim de 2009, já se sabendo assim, com razoável grau de precisão, como foi o desempenho desse ano que passou.

Vieram do economista Regis Bonelli, da Fundação Getúlio Vargas-RJ. Conforme este jornal de 11 do mês passado, ele calculou o custo da "marolinha" entre R$ 150 bilhões e R$ 210 bilhões em 2009, baseando suas estimativas no raciocínio de que sem a crise nosso PIB teria crescido entre 5% e 7% no ano, e com ela as estimativas desse crescimento são próximas de zero. A matéria não fala do valor do PIB, mas sabe-se que o PIB brasileiro tem um valor perto de R$ 3 trilhões. Esse número, ao lado dessas perdas de 5% a 7% de crescimento, leva às referidas estimativas do custo da crise em 2009.

Dados do IBGE confirmam esse valor aproximado do PIB, mostrando que ele foi de R$ 3,004881 trilhões em 2008; supondo crescimento zero em 2009, ele teria crescido, então, só por conta da inflação, que fechou o ano em 4,31%, segundo o IPCA. O índice de preços por trás do PIB é outro, mas deverá também mostrar taxa pequena. Supondo a mesma variação do IPCA, o efeito da "marolinha" em 2009 subiria para entre R$ 156 bilhões e R$ 220 bilhões a preços desse ano, não fazendo assim muita diferença nessa escala.

Um adendo que leva a uma diferença maior viria da lembrança de que a crise teve efeitos já em 2008, quando o PIB cresceu 5,1%. Supondo que poderia ter crescido mais 1%, isso geraria uma perda adicional de R$ 30 bilhões em 2008 e ampliaria os números de 2009 para entre R$ 158 bilhões e R$ 221 bilhões. Somando os dois anos, a média das estimativas alcançaria um valor perto de R$ 220 bilhões.

Em qualquer caso, a perda foi imensa, pois assumiu valores como esses, significando também mais de um ano perdido de crescimento do PIB e levando a perdas que famílias sofreram na forma de desemprego e queda de renda, que no setor produtivo fizeram cair a produção e no governo, a arrecadação.

Para se ter outra ideia, números nos jornais de ontem mostraram que as estimativas citadas para 2009 equivalem aproximadamente a toda a arrecadação do INSS no mesmo ano (R$ 184,6 bilhões), ou às despesas que deficitariamente nele realizou (R$ 228,2 bilhões), em particular com seus quase 20 milhões de aposentados.

Quanto à avaliação relativa, deve-se mirar não nos muitos países que se saíram pior que o Brasil, mas nos poucos que registraram taxas positivas e elevadas, a menos que nos conformemos com o padrão que hoje já contamina o País, o de se contentar com pouca coisa. Na China, segundo o último número da revista The Economist, as estimativas de crescimento em 2009 e 2010 são de 8,2% e 8,6%, respectivamente; na Índia, de 5,5% e 6,3%, destacando-se assim a manutenção de altas taxas de crescimento no ano mais marcado pela crise. O Brasil aparece com nada em 2009 e 4,8% em 2010.

Ora, a grande diferença na dinâmica econômica desses três países são suas taxas de investimento. China e Índia mostram taxas próximas de 40% e 30%, respectivamente, enquanto que o Brasil ficou anos mais perto de sofríveis 17%. Pouco antes da crise, no terceiro trimestre de 2008, chegou a 20,1%, mas o último dado, do terceiro de 2009, revela que caiu para 17,7%.

Enquanto isso, nosso presidente, contentando-se com muito pouco, sai pelo País com a ministra Dilma a alardear "sucessos" de seu MPAC, pois seu programa merece mesmo é o nome de Muito Pouco de Aceleração do Crescimento.

Roberto Macedo, economista (UFMG, USP e Harvard), professor associado à Faap, é vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo